RIO DE JANEIRO — O senador Flávio Bolsonaro destinou R$ 200 mil em emendas parlamentares ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o Ifop, entidade investigada por suspeita de ligação com Robson Calixto, conhecido como Peixe, condenado no caso Marielle Franco.
O Ifop recebeu R$ 300 mil da deputada federal Chris Tonietto e R$ 1,5 milhão de Chiquinho Brazão. Ao todo, foram R$ 2 milhões em emendas. As verbas destinadas ao instituto em 2023 são apontadas como os únicos recursos públicos recebidos pela entidade até hoje.
Investigação sobre os repasses
A Polícia Federal investiga se os recursos fizeram parte de um esquema de desvio de dinheiro público ligado ao entorno da família Brazão. Segundo a corporação, Calixto teria intermediado os recursos obtidos junto ao gabinete de Flávio Bolsonaro. Na época, ele era assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.
A execução das emendas foi alvo de uma operação da Polícia Federal em julho, em parceria com a Controladoria-Geral da União. A apuração envolve suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As emendas de Flávio Bolsonaro e Chris Tonietto tinham como finalidade a compra de chuteiras para projetos esportivos infantis. No caso do senador, os recursos foram destinados ao projeto Jogadores do Futuro. Pais de alunos disseram que os filhos não receberam os materiais previstos. No projeto Vencedores do Futuro, beneficiado pela emenda de Chris Tonietto, também não houve confirmação da entrega.
A emenda de Chiquinho Brazão foi destinada a um projeto de capacitação de mulheres com aulas de informática na Baixada Fluminense. Os recursos só foram liberados em 2025, após a prisão do ex-deputado.
Um relatório do Tribunal de Contas da União apontou suspeitas de irregularidades na compra de materiais pelo Ifop com a emenda de Flávio Bolsonaro. A auditoria afirmou que a entidade não buscou “condições vantajosas” e não demonstrou “qualquer preocupação com a obtenção de economia ou eficiência na aplicação dos recursos públicos”.
A assessoria de Flávio afirmou que a emenda foi destinada dentro da legislação e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte. Também disse que a responsabilidade pela execução é da entidade beneficiária.
O Ifop declarou desconhecer a atuação de Calixto e negou relações com ele ou com a família Brazão. A entidade afirmou que contratou assessoria especializada em gestão de projetos e que esteve nos gabinetes de parlamentares do Senado e da Câmara no fim de 2022.
Calixto foi preso em maio de 2024 e condenado a nove anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal em fevereiro deste ano. Chiquinho e Domingos Brazão foram condenados a 76 anos e três meses de prisão.








