O Banco Central (BC) e o Banco Central Europeu (BCE) iniciam nesta quinta-feira (24) uma avaliação sobre a conexão entre o Pix e o Target Instant Payment Settlement (TIPS), sistema europeu de pagamentos instantâneos. O estudo examina aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e de negócio das duas infraestruturas públicas.
Como funcionam os sistemas
Gerenciado pelo BCE, o TIPS foi lançado em 2018 e realiza a liquidação instantânea de pagamentos em euro, coroa sueca e coroa dinamarquesa. Há previsão de expansão para outras moedas do Espaço Econômico Europeu, formado pelos 27 países da União Europeia, além de Islândia, Liechtenstein e Noruega.
O sistema europeu conecta bancos e prestadores de serviços financeiros, assim como o Pix. A diferença é que o TIPS liquida pagamentos no atacado, enquanto o sistema brasileiro atende pagamentos instantâneos feitos pelo usuário final.
De acordo com o BC, a integração poderá reduzir tempo e custos de operações entre o Brasil e a área do euro. “Considerando os significativos fluxos econômicos e financeiros entre o Brasil e a área do euro, a interligação entre Pix e TIPS poderá contribuir para pagamentos transfronteiriços mais rápidos, eficientes e de menor custo entre as duas jurisdições”, informou a autoridade monetária.
Outras conexões em avaliação
A análise faz parte da agenda de evolução do Pix e dos esforços para conectá-lo a infraestruturas multilaterais e de outras jurisdições. O BC também estuda a interoperabilidade com o projeto Nexus, liderado pelo Banco de Compensações Internacionais, e com bancos centrais vizinhos da América Latina.
O BCE afirmou que o Eurosistema avalia iniciativas para ligar o TIPS a outros sistemas instantâneos, incluindo o Nexus e as plataformas de pagamentos da Índia e da Suíça. A estratégia busca ampliar a integração dos pagamentos transfronteiriços por meio da infraestrutura existente.
Disponível para toda a população desde 2020, o Pix é um dos maiores sistemas instantâneos do mundo em volume de transações, atrás apenas do UPI, da Índia. Dados do BC mostram que R$ 35,4 trilhões foram movimentados pelo sistema em 2025. Mais de 170 milhões de pessoas físicas usam o Pix, o equivalente a 80% da população brasileira.








