SERRA CATARINENSE — Moradores registraram a passagem do helicóptero Bell 430 que caiu e matou o cantor Rick e outras quatro pessoas. Os vídeos foram feitos pouco antes do acidente e são analisados na reconstrução dos momentos finais do voo.
O helicóptero havia decolado de Porto Belo com destino a São Joaquim. Estavam a bordo Rick, o empresário Bruno Avelar, o produtor de vídeos Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Não houve sobreviventes.
Um dos vídeos foi gravado por Rodrigo Afonso. Ele afirmou que a aeronave chamou atenção por passar mais baixa do que o habitual: “Isso chamou a atenção da gente”. Outro registro foi feito pelo artesão Israel Rosa, que estava a menos de três quilômetros do local da queda. Segundo ele, não havia sinais visíveis de problema: “Não percebi nada de pane”.
Perícia investiga a queda
A Polícia Científica usa drones e um scanner tridimensional para mapear a área, reconstruir a trajetória e analisar vestígios encontrados entre os destroços. A aeronave caiu em uma área de difícil acesso, em meio à mata fechada, a cerca de 1.700 metros de altitude. As equipes de resgate levaram mais de 20 horas para localizá-la.
O perito criminal Fernando Henrique Ponzetti disse que a tecnologia permite simular a entrada do helicóptero na mata e examinar as características da aeronave e dos destroços. Do Bell 430, que tinha mais de 15 metros de comprimento, restaram pouco mais de três metros após o impacto.
As condições meteorológicas também são investigadas. Mensagens trocadas pela tripulação antes da decolagem indicavam preocupação com o avanço de uma frente fria. Naquela manhã, a Defesa Civil havia emitido alerta para tempestades severas, com previsão de granizo, ventos fortes e descargas elétricas.
O engenheiro aeronáutico e professor da Poli-USP Jorge Eduardo Leal Medeiros afirmou que uma falha mecânica não seria a primeira hipótese analisada. Ele mencionou a possibilidade de um downdraft, corrente descendente que pode empurrar a aeronave para baixo em regiões montanhosas, e também levantou preliminarmente a hipótese de falha humana associada ao mau tempo. Nenhuma dessas possibilidades é conclusão sobre as causas.
A aeronave estava com a documentação em dia e autorizada para voos noturnos e por instrumentos, segundo a ANAC. A investigação ainda busca informações na caixa-preta e trabalha na reconstrução da dinâmica da queda.








