PORTO ALEGRE — Roger Machado afirmou que voltaria a aceitar o trabalho no São Paulo, apesar da curta passagem pelo clube e da rejeição enfrentada desde a chegada. O treinador foi contratado em março, ficou dois meses e um dia no cargo e acabou demitido em maio.
A experiência, segundo ele, não deixou mágoas. Machado disse que pretendia transformar aquele período em aprendizado e que não mudaria as decisões tomadas durante a passagem pelo clube. Para o técnico, dois meses foram insuficientes para avaliar a evolução do trabalho.
Pressão e apoio no elenco
A partida contra o Juventude, pela quinta fase da Copa do Brasil, foi um dos momentos mais difíceis. O São Paulo venceu por 1 a 0, mas recebeu vaias no Morumbis. Depois do jogo, Machado refletiu no vestiário sobre a possibilidade de aquela ser sua última noite no clube. Jogadores o procuraram e manifestaram solidariedade.
“Eu não mudaria”, afirmou Machado ao avaliar as escolhas feitas no período. Ele disse que alterou a forma de jogar de acordo com as características do elenco e dos adversários e que não identifica uma decisão relevante que faria de outra maneira.
O treinador relatou que encontrou um ambiente interno leve e jogadores interessados no trabalho. Na avaliação dele, a pressão externa alcançava o dia das partidas, mas os atletas mantinham confiança na comissão técnica.
Ameaças e privacidade
Machado contou que, perto de sua saída, a esposa e as filhas receberam ameaças por telefone. Ele afirmou que a família também foi alvo de ofensas e que sua esposa encaminhou algumas mensagens ao advogado Eduardo.
O técnico disse ter mais de duas mil pessoas bloqueadas no celular e afirmou que não pretende trocar o número, que mantém há pelo menos 25 anos. “Vou bloquear um por um”, declarou.
Machado afirmou que não acessa redes sociais e que nem sequer tem a senha de seus perfis profissionais. Para ele, as mensagens invadem a privacidade e são a parte mais incômoda da exposição no futebol. O treinador disse que tenta separar o ambiente virtual da realidade e que torcedores o trataram com carinho em encontros fora da internet.
Próximos passos
Desempregado desde maio, Machado descreveu o momento atual como uma fase de despressurização. Ele divide a rotina entre a família, a atividade física, partidas de tênis, leituras e análises de futebol.
O treinador havia imaginado interromper a carreira aos 50 anos para estudar e passar mais tempo com a família. Depois, mudou de ideia. Aos 51 anos, afirmou que pretende estender a carreira até perto dos 60 e ainda mira conquistas como Campeonato Brasileiro, Libertadores, Copa do Brasil e Sul-Americana.








