SÃO PAULO — O Tribunal de Contas da União registrou que o governo federal terminou 2022 com superávit primário de R$ 54,9 bilhões, equivalente a 0,6% do PIB. O resultado foi o primeiro saldo positivo após oito anos de déficits.
O dado foi apresentado durante um jantar com empresários e representantes do setor produtivo, realizado na noite de sexta-feira (25), em São Paulo. No encontro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a estabilidade das contas públicas é uma obrigação do governo.
“Estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória”, disse Lula. Ele declarou que o desequilíbrio das contas afeta principalmente a população pobre e afirmou considerar curioso ser cobrado por responsabilidade fiscal.
Contas públicas e PIB
Lula disse ter recebido o país com déficit de 2,8% do PIB e entregue um superávit de 0,1% do PIB. Segundo ele, o índice poderia ser considerado baixo, mas indicaria que o Brasil havia retomado um caminho de responsabilidade fiscal.
O presidente também afirmou que o PIB brasileiro só cresceu acima de 3% durante os primeiros mandatos petistas e após seu retorno à Presidência. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram avanço de 4,6% em 2021 e de 3% em 2022.
Durante o jantar, Lula fez um discurso de quase 40 minutos e disse que a eleição exigiria experiência. Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, afirmou que a dupla tinha mais experiência que os demais concorrentes ao Palácio do Planalto.
O evento foi organizado pelos grupos Esfera, Prerrogativas e Parlatório e teve mais de 500 empresários e executivos com presença confirmada. A procura levou os organizadores a transferir o encontro para o Hotel Tivoli Mofarrej, nos Jardins, e a modificar o formato planejado.
Entre os empresários presentes estavam Joesley Batista, Gilberto Tomazoni, José Seripieri Jr, Gustavo Pimenta, Benjamin Steinbruch, Milton Maluhy Filho, Gilson Finkelsztein, Ricardo Lacerda, David Feffer, Sergio Zimerman, Paulo Kakinoff, Ivan Monteiro, Lírio Parisotto, Miguel Matos, Carlos Sanchez e Rubens Ometto.
Também participaram Geraldo Alckmin e os ministros Dario Durigan, Miriam Belchior, Bruno Moretti, Márcio Elias Rosa, Alexandre Silveira, Wellington Lima e Silva, Alexandre Padilha, Leonardo Barchini e Esther Dweck. Estiveram no jantar Jorge Messias, Vinícius Marques de Carvalho, Tarciana Medeiros e Carlos Vieira.
Críticas aos Estados Unidos
Lula criticou ações do governo de Donald Trump e afirmou que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, pretende transformar a América Latina em um quintal dos Estados Unidos. O presidente disse que pode recorrer à Lei da Reciprocidade em resposta ao tarifaço sobre produtos brasileiros.
Sobre minerais críticos, defendeu a presença de empresas estrangeiras, desde que submetidas às regras brasileiras. “Quero empresas estrangeiras, mas elas têm de agir sob nosso comando”, afirmou.
O presidente também comentou o caso do Banco Master e citou o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro. Ele classificou o episódio como um “mar de lama” e disse que a Justiça não pode ser seletiva. Lula afirmou ainda que não deve haver pessoas na República acima da possibilidade de investigação e punição.
O jantar faz parte de uma série de encontros do Esfera Brasil com candidatos à Presidência. O grupo programou reuniões com Augusto Cury e Ronaldo Caiado para a próxima semana. Flávio Bolsonaro também foi convidado.








