SÃO PAULO — Ricardo Salles (Novo) desistiu da candidatura ao Senado e declarou apoio a André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), depois de meses de ataques ao presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo.
Salles havia acusado Prado de manter próximo um ex-assessor condenado por estupro de vulnerável contra duas netas. José Renato da Silva trabalhou com André entre 2013 e 2015 e, depois, atuou na liderança partidária até 2022. Em 2023, ele recebeu condenação, em primeira instância, a 40 anos de prisão.
O ex-ministro questionou a permanência de Silva no entorno político de Prado e sugeriu que o deputado teria acobertado o caso. André negou. Ele afirmou que desconhecia os crimes e que o funcionário foi afastado quando as denúncias se tornaram conhecidas.
A Justiça Eleitoral considerou falsas parte das declarações de Salles. Em 15 de setembro, o TRE-SP ordenou que três vídeos fossem retirados do ar e impôs multa de R$ 5 mil por desinformação difamatória. Entre as afirmações contestadas estava a de que Prado e seu suplente seriam investigados por desvios de merenda escolar.
Escalada e mudança de posição
Em maio, Salles disse que não havia “a menor hipótese de alguém decente apoiar o André do Prado”. Em julho, ao rejeitar a possibilidade de retirar sua candidatura, afirmou: “Se quiserem ter dois candidatos, o André que desista. Eu vou resistir”.
Nos ataques seguintes, associou Prado ao Centrão e disse que o deputado teria se aproximado do PT para chegar à presidência da Assembleia Legislativa. Também afirmou que integrantes do PL tinham “rabo preso” com Valdemar Costa Neto e chamou Prado de “marionete de Valdemar Costa Neto”.
Em 28 de setembro, Salles apareceu ao lado do governador Tarcísio de Freitas e anunciou a retirada da candidatura. A desistência ocorreu a seis dias do primeiro turno.
No levantamento divulgado em 24 de setembro, Prado e Derrite tinham 12% das intenções de voto, enquanto Salles registrava 4%. Marina Silva aparecia com 15% e Simone Tebet, com 14%.








