São Paulo, Domingo, 20 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00% São Paulo 18°C 18° / 24°
Brasil

Flávio Bolsonaro foi contestado ao menos 6 vezes em entrevista na Globo

Candidato foi confrontado sobre golpe de Estado, urnas eletrônicas, clima, financiamento de filme, tarifaço e Adriano da Nóbrega.

Jornal Nacional: Flávio Bolsonaro mentiu e foi “corrigido” por Tralli e Renata Vasconcellos ao menos 6 vezes
Foto: Manoella Mello/Divulgação TV Globo

Durante uma sabatina na Globo, Flávio Bolsonaro apresentou informações falsas ao ser questionado sobre tentativa de golpe de Estado, urnas eletrônicas, mudanças climáticas, financiamento de filme, tarifaço e Adriano da Nóbrega. Em um dos episódios, ele admitiu ter “falado errado”.

Flávio Bolsonaro (PL) entrou no estúdio da Globo na noite de sexta-feira (28) com a intenção de expor sua versão sobre os principais assuntos ligados à sua candidatura à Presidência. Nos 40 minutos de conversa com César Tralli e Renata Vasconcellos, porém, o candidato precisou enfrentar uma situação que costuma ser desconfortável: os entrevistadores apresentaram fatos que contrariavam declarações falsas feitas por ele em ao menos seis momentos.

A avaliação da entrevista completa foi realizada a partir dos vídeos e da transcrição. O cruzamento entre os trechos e o material audiovisual aponta ao menos seis ocasiões em que Tralli ou Renata corrigiram, contestaram ou apresentaram informações que contrariavam diretamente falas de Flávio.

O levantamento considera “correção” não somente os casos em que os jornalistas afirmam literalmente “isso não é verdade”, mas também aqueles em que mostram documentos, dados, informações oficiais ou evidências científicas que contradizem uma declaração factual do candidato.

Os momentos em que Flávio Bolsonaro foi contestado

1. A tentativa de golpe não foi uma “farsa”

Um dos episódios mais fortes ocorreu quando Flávio tentou desqualificar as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro.

O candidato classificou o processo como uma “grande farsa” e disse que havia sido criada uma “montagem” para condenar seu pai e outros envolvidos.

Tralli respondeu à declaração apresentando os elementos reunidos pela investigação da Polícia Federal. Entre eles estava o documento encontrado na casa do coronel Mauro Cid, com detalhes do plano para matar o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

Não se tratava, portanto, apenas de uma divergência entre posições políticas. Havia um documento apreendido pela PF e incluído na investigação, além de depoimentos e outros elementos que serviram de base para as condenações.

Mesmo diante das provas aceitas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio continuou sustentando que tudo era uma armação. O tribunal condenou seu pai, Jair Bolsonaro (PL), a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado.

2. “A empresa venezuelana não fabricou as urnas”: o próprio Flávio admite a mentira

Esse foi o caso mais evidente da entrevista. Renata lembrou que Flávio havia dito que as urnas eletrônicas brasileiras eram produzidas por uma empresa venezuelana. A informação já havia sido negada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A jornalista apresentou a declaração anterior ao candidato e perguntou sobre o que ele havia afirmado. Flávio voltou atrás: “Falei errado, ela não fabricou as urnas”.

A admissão tem relevância porque não depende de uma interpretação da resposta. O próprio candidato reconheceu que havia mentido.

3. Aquecimento global: “saneamento básico” para disfarçar negacionismo

Outro momento marcante ocorreu quando Renata perguntou a Flávio qual era sua posição sobre as mudanças climáticas. A questão era objetiva: diante das evidências científicas sobre o aquecimento global, por que o assunto não aparecia com mais clareza em seu plano de governo?

Em vez de responder diretamente se reconhecia o aquecimento global e a participação humana nesse processo, Flávio desviou a resposta para saneamento básico, esgoto, lixões e eventos climáticos extremos. Renata retomou a pergunta:

“Então, deixa eu só entender, então, o senhor acha que não tem aquecimento global? Não existe?”

Depois que Flávio mencionou ciclos climáticos, a jornalista voltou a confrontá-lo: “Isso não é negar as evidências científicas, candidato?”

Nesse caso, não havia apenas duas opiniões distintas. A existência do aquecimento global e a influência humana sobre o clima são questões científicas sustentadas por evidências acumuladas.

4. A carta a Trump e o Tarifaço

O quarto episódio tratou do tarifaço aplicado pelo governo de Donald Trump ao Brasil. Flávio tentou apresentar sua atuação nos Estados Unidos como uma iniciativa voltada a cancelar as tarifas e proteger empresas brasileiras.

Renata, no entanto, utilizou o documento apresentado pelo próprio candidato para mostrar uma diferença central: a carta não solicitava o encerramento da investigação nem a suspensão imediata da medida. O pedido era pelo adiamento de sua implementação.

A jornalista foi direta: “Na carta (…) não se pede (…) que se encerre a investigação. Pede-se adiar a implementação da medida”. Ela também afirmou que a investigação mencionada na carta já havia sido concluída.

Flávio tentou manter sua interpretação, mas o conteúdo do documento mostrado por Renata contrariava a forma como ele havia descrito sua atuação.

5. A prestação de contas do filme “Dark Horse”

A primeira parte principal da entrevista foi dedicada à relação de Flávio com Daniel Vorcaro e ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

Flávio declarou que a prestação de contas do projeto havia sido realizada e que os dados estavam disponíveis ao público.

Tralli apresentou um contraponto: o perito contratado para examinar as informações não teve acesso ao fundo americano e não conseguiu esclarecer por completo a origem e o destino dos recursos.

Assim, a questão não era apenas verificar se existia algum documento publicado. Era necessário saber se o material disponível bastava para explicar a origem e o percurso dos R$ 61 milhões relacionados ao financiamento.

A discussão ocorreu justamente quando Flávio tentou encerrar o assunto da prestação de contas como se ele já estivesse completamente esclarecido. O candidato também se recusou a entregar o suposto “contrato” com Daniel Vorcaro, que havia prometido fornecer no dia 19 de maio.

6. Adriano da Nóbrega já era alvo de acusações quando foi homenageado

O sexto episódio envolveu Adriano da Nóbrega, apontado como líder do Escritório do Crime, braço de extermínio da milícia de Rio das Pedras. Ele foi morto em 2020.

Questionado sobre a homenagem concedida a Adriano, Flávio afirmou que, naquela época, ele era considerado um policial de destaque e que “não tinha feito absolutamente nada de errado”.

Renata contrapôs a informação de que Adriano já estava preso por homicídio e era alvo de acusações graves naquele período.

Esse ponto é relevante porque a defesa de Flávio depende da tese de que as acusações contra Adriano teriam surgido depois da homenagem. A intervenção de Renata contestou essa sequência temporal. A jornalista também lembrou a contratação de parentes do miliciano para cargos comissionados no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5