Cientistas e voluntários plantam corais jovens em recifes da Flórida, nos Estados Unidos, para identificar quais espécies resistem melhor ao aquecimento dos oceanos. A iniciativa também acompanha o desenvolvimento dos exemplares em águas mais quentes e promove a conservação marinha.
O trabalho integra o programa Rescue a Reef, coordenado pela Universidade de Miami. Criada em 2015, a iniciativa reúne ações de pesquisa, educação da população e reconstrução do ecossistema. Nesta temporada, foram plantados 615 corais, sendo 228 incluídos no estudo sobre branqueamento. Os resultados são enviados às autoridades estaduais responsáveis pelo meio ambiente e pela vida silvestre.
A pesquisa ocorre no recife Rainbow, localizado a cerca de três quilômetros da costa de Key Biscayne, nos arredores de Miami. Durante os mergulhos, algumas espécies são instaladas em estruturas suspensas por boias, semelhantes a antigas antenas de televisão. Outras ficam sobre estruturas parecidas com mesas ou presas a suportes fixados em pequenas bases no recife.
Os corais recebem coberturas para proteção contra predadores. Os pesquisadores também posicionam tabelas de referência de cores ao redor dos exemplares recém-plantados. A comparação da pigmentação ajuda a acompanhar a saúde dos animais e a detectar sinais iniciais de estresse térmico.
“Certas espécies podem ser mais resilientes, já que conseguem sobreviver melhor e se recuperar de episódios de estresse térmico”, explicou Devon Ledbetter, coordenadora do programa. Segundo ela, o coral-estrela-montanhoso tende a apresentar maior resistência ao branqueamento e ao estresse causado pelo calor.
Branqueamento e aquecimento
Os corais são formados por pólipos, pequenos animais que vivem em associação com algas microscópicas coloridas. Quando essas algas sofrem com o calor ou a poluição, deixam os tecidos dos corais. O esqueleto calcário fica exposto, provocando o branqueamento. O coral afetado não está morto, mas fica adoecido e mais vulnerável.
Uma onda de calor marinha iniciada em 2023 provocou a “extinção funcional” do coral-chifre-de-alce e do coral-chifre-de-veado no recife da Flórida. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos considera que o quarto evento global de branqueamento provavelmente terminou em meados de 2025.
As temperaturas da superfície do mar continuam acima das registradas há 25 ou 30 anos, quando ocorreu o primeiro episódio de branqueamento. Um El Niño muito intenso poderia provocar um novo episódio, inclusive nas águas da Flórida.








