O governo federal articula uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões, financiada pelo BNDES, para clubes de futebol que perderam patrocínios de empresas de apostas esportivas. A medida foi negociada pelo presidente Lula às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026.
O financiamento deverá permitir que as equipes reorganizem as contas após a retirada dos patrocinadores máster. Uma reunião entre representantes do governo e dos clubes deve estabelecer as regras do auxílio.
Efeito sobre as finanças dos clubes
As bets respondem por uma parcela relevante das receitas de marketing de equipes das Séries A e B do Brasileirão. No São Paulo, esse tipo de patrocínio representa 73% do valor arrecadado nessa área. O Flamengo estima perda superior a R$ 400 milhões no orçamento do próximo ano.
Os clubes da Série A acumulam mais de R$ 17 bilhões em dívidas. A redução das receitas pode levar a atrasos salariais e cortes no planejamento esportivo, além de elevar o risco de insolvência, quando os débitos se tornam impagáveis.
Contestação no Supremo
O Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR) recorreu ao Supremo Tribunal Federal contra a Medida Provisória que proibiu as bets. A entidade afirma que a decisão provoca insegurança jurídica e desrespeita a liberdade econômica.
O instituto também argumenta que as empresas atuaram de boa-fé, pagaram impostos e contrataram funcionários com base em leis que previam licenças de operação por cinco anos. O setor sustenta que o governo tomou a decisão de forma unilateral, sem ouvir o Congresso e sem aplicar critérios técnicos adequados.
Reação política
A proibição tem apoio de 75% dos brasileiros, mas Romeu Zema e Ronaldo Caiado criticaram o momento escolhido para a medida. Os dois reconheceram o problema do vício em apostas, mas disseram que a decisão ocorreu na véspera das eleições.
Flávio Bolsonaro classificou a medida como fraude eleitoral. Também há expectativa de que o Congresso Nacional possa deixar a Medida Provisória caducar, diante da influência do setor.








