O Conselho de Supervisão da Meta recomendou que a empresa não substitua a verificação profissional de informações pelas chamadas notas da comunidade. Para o órgão, os dois mecanismos têm funções diferentes e devem ser tratados como complementares.
A manifestação foi divulgada em comunicado neste sábado (12), depois que a Meta anunciou, na quarta-feira (9), o início dos testes das notas da comunidade em 16 países da América Latina. A medida foi apresentada como uma etapa para substituir o programa atual, que conta com jornalistas e profissionais da informação.
O conselho afirmou que as notas, criadas e aprovadas por usuários das redes sociais, podem ser contraproducentes ou manipuladas em regimes repressivos e em países com forte polarização. Por isso, pediu que a Meta não apresente o recurso como substituição direta da checagem profissional.
Países incluídos
A iniciativa alcança Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. O Brasil, maior mercado das plataformas da Meta e com eleições presidenciais previstas para outubro, não foi incluído.
O Conselho de Supervisão disse que as notas podem contribuir para debates e estimular a livre expressão, mas também causar danos em situações específicas. Entre os riscos citados estão regimes que reprimem direitos humanos, contextos que levam à violência política e países com redes de desinformação em larga escala.
A recomendação é que a passagem dos testes para a implementação seja decidida a partir de uma análise dos riscos de cada país.
Nos Estados Unidos, a Meta encerrou o programa de verificação profissional no ano passado, antes do início do segundo mandato de Donald Trump, e adotou as notas da comunidade. O modelo utiliza colaboração em massa, com usuários que precisam ter pelo menos 18 anos, uma conta com no mínimo seis meses de existência e não ter violado repetidamente as regras da empresa.
A Rede Internacional de Checagem de Fatos também questionou o anúncio e afirmou que o programa da Meta não é suficiente em contextos de alta desinformação. A organização reúne a AFP, que participa do programa profissional do Facebook em mais de 26 idiomas.








