A proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1 avança no Senado com a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte de salário. A medida foi aprovada pela CCJ e estabelece dois dias de descanso por semana, além do limite de oito horas diárias.
A mudança exigirá reorganização de equipes e aumento de produtividade. Os efeitos variam conforme a atividade, especialmente em setores que funcionam aos fins de semana ou dependem de jornadas contínuas.
Educação e comércio
No ensino particular, professores recebem por hora-aula, o que pode levar as escolas a contratar mais profissionais ou elevar o pagamento do descanso semanal remunerado para preservar a grade horária. Como os custos da folha de pagamento chegam a 75% do orçamento, parte da despesa poderá ser repassada às mensalidades.
No comércio, o principal desafio será garantir um segundo dia de folga para os trabalhadores. Lojas e supermercados que funcionam aos fins de semana terão de criar novas escalas ou contratar funcionários extras para manter a operação sem ultrapassar o limite semanal.
Vigilância e indústria
A legislação já permite aos vigilantes a escala de 12 horas de trabalho por 36 de descanso. A proposta preserva regimes negociados coletivamente, mas as empresas precisarão definir como aplicar o limite de 40 horas semanais sem deixar postos descobertos.
Na indústria, a redução da jornada pode exigir novas equipes ou turnos de revezamento em fábricas que não podem interromper a produção. Quando as máquinas precisarem operar por mais tempo do que o funcionário pode permanecer no posto, as empresas terão de ampliar a mão de obra ou aceitar períodos menores de funcionamento.
Custo da hora trabalhada
A manutenção do salário com a redução da jornada de 44 para 40 horas aumenta o valor da hora em cerca de 10%. Para compensar o impacto, as empresas avaliam reorganizar equipes e investir em tecnologias capazes de elevar a produtividade.
Quando essas medidas não forem suficientes, poderão ser necessárias novas contratações ou o repasse de custos aos preços finais. A PEC mantém a possibilidade de compensação de horários por meio de acordos e convenções coletivas.







