O Interpol amplia sua paleta sonora em “This Mirror Weighs a Ton”, álbum que combina guitarras, sintetizadores, cordas, sopros, violões e arranjos eletrônicos. O trabalho é o oitavo da banda e foi lançado em 28 de agosto, quatro anos depois de “The Other Side of Make-Believe”.
O disco também marca a estreia do grupo na Partisan Records e o retorno às gravações em Nova York depois de mais de uma década. As sessões ocorreram no estúdio do produtor Andrew Wyatt, com Daniel Kessler, Paul Banks, Sam Fogarino, Brad Truax e Brandon Curtis.
Kessler, guitarrista do Interpol, afirma que a continuidade da banda não depende de uma motivação específica. “Gosto de escrever canções, gosto de estar com os caras”, disse. Para ele, o processo começa com a apresentação das ideias aos demais integrantes e a combinação dessas propostas.
Mudança no processo de criação
A gravação anterior foi realizada à distância durante a pandemia, em um período de isolamento que contribuiu para um resultado mais contido e atmosférico. No novo álbum, Kessler buscou recuperar a sensação de músicos tocando juntos no mesmo espaço. O contato entre os integrantes favoreceu improvisações e a exploração de novas texturas.
A faixa “This Mirror Weighs a Ton” reúne baixo, sintetizadores e batidas eletrônicas discretas em uma abertura hipnótica, com vocais etéreos de Banks. “See Out Loud” retoma a tensão das guitarras associada ao grupo. Em “Bird and the Serpent”, uma passagem orquestral encerra a música, enquanto “Enemy” se apoia em uma atmosfera de piano.
Kessler divide os vocais com Banks em “See Out Loud”, algo raro na trajetória do Interpol. A formação atual também inclui Truax no baixo e Curtis nos teclados. Banks e Fogarino integram o núcleo da banda desde 2000.
Distância do rótulo pós-punk
Formado em Nova York no fim dos anos 1990, o Interpol ganhou destaque ao lado da retomada de bandas de guitarras e se tornou uma referência do revival pós-punk. “Turn On the Bright Lights”, de 2002, consolidou essa identidade com faixas como “Obstacle 1”, “PDA” e “NYC”. “Antics”, de 2004, ampliou o alcance do grupo com “Evil”, “Slow Hands” e “C'mere”.
Kessler diz que o rótulo faz mais sentido para os dois primeiros discos e prefere não se prender a essa classificação. A saída do baixista Carlos Dengler, em 2010, modificou a formação, mas a banda continuou avançando por mudanças graduais.
A permanência do estilo de guitarra de Kessler é outra característica do novo trabalho. Ele aceita a definição de sua abordagem como minimalista e afirma ser econômico nos acordes. Ao mesmo tempo, o músico se mostra desconcertado com o fato de o Interpol ter se tornado referência para uma nova geração após 25 anos de carreira.








