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Bia Soull leva tabus sexuais e imaginação ao álbum de estreia

Cantora usa sussurros e batidas de funk, rap e R&B para abordar desejo, bissexualidade e liberdade sexual.

Bia Soull leva tabus sexuais e imaginação ao álbum de estreia
Foto: Divulgação

Bia Soull transformou experiências pessoais e diferentes perspectivas sobre o desejo em seu primeiro álbum, “Pornografia Auditiva”. O trabalho combina vocais sussurrados, batidas experimentais e referências ao funk, ao rap e ao R&B para tratar de erotismo, prazer e tabus sexuais.

A cantora afirma que o diferencial do disco não está apenas em falar sobre sexo, mas nos assuntos abordados dentro desse universo. Entre eles estão a bissexualidade, a masturbação feminina, o sexo casual e os desejos de pessoas que costumam aparecer pouco nas narrativas do gênero.

Na faixa-título, Bia assume o ponto de vista de uma profissional do sexo. Segundo ela, a música é autobiográfica, assim como 90% das letras do álbum. A cantora diz que trabalhou como profissional do sexo para juntar dinheiro e sair de Florianópolis rumo a São Paulo, onde pretendia gravar suas composições.

Da experiência pessoal à música

Bia nasceu em Apucarana, no interior do Paraná. O pai biológico foi preso quando ela tinha um ano de idade. Quatro anos depois, conheceu o pai de criação, guitarrista de uma banda de blues e MPB em que sua mãe cantava.

Depois da separação dos pais, mudou-se com a mãe para Curitiba e passou a frequentar a cena hip-hop. Também formou uma dupla de rap com a mãe, que a ensinou a compor como MC. Aos 18, voltou para Apucarana, entrou na faculdade de turismo, abriu um brechó e passou a morar sozinha.

Foi nesse período que começou a escrever sobre liberdade sexual, erotismo e experiências pessoais. Mais tarde, em Florianópolis, decidiu trabalhar como garota de programa para financiar a carreira musical. A experiência, segundo a cantora, ampliou sua visão sobre a prostituição e sobre as dificuldades enfrentadas pelas trabalhadoras sexuais.

Uma das primeiras músicas nesse estilo foi “Ifude”, criada a partir do interesse por um entregador. A situação não aconteceu na vida real, mas virou uma cena sexual na composição.

Funk, rap e atmosfera sombria

Em São Paulo, três ambientes ajudaram a formar a identidade sonora da artista: os bailes funk, o rap feito por mulheres e as boates LGBTQIA+. A cantora diz ter encontrado resistência em estúdios de funk, enquanto foi recebida de forma mais imediata pelos outros dois grupos.

O álbum inclui “Malandro Touchscreen”, faixa de R&B sobre prazer masculino em práticas sexuais, e “Menage”, um rap com guitarra em que a narradora propõe sexo a três. “Preliminares”, que abre o disco, aborda a cobrança por sexo oral nas relações.

A produção incorpora elementos do funk paulista, do minimalismo às batidas industriais. Mu540 e D.Silvestre estão entre os produtores. O clima é reforçado por vozes que se deslocam entre os canais da mixagem estéreo.

A ideia do título surgiu depois que um frequentador de uma academia em São Paulo, com deficiência visual, ouviu algumas músicas por meio da mãe da cantora e definiu o trabalho como “pornografia auditiva”. Para Bia, o álbum explora o sexo pela imaginação, sem depender apenas da exposição visual.

A artista, que tem 24 anos, diz dialogar com a Geração Z e vê nessa geração mais autonomia para expressar a sexualidade. Ao mesmo tempo, afirma que os jovens estão mais distantes e buscam com maior frequência formas individuais de prazer.

Bia não se identifica totalmente como funkeira ou rapper e prefere a definição “under diva pop”. Ela afirma ter músicas não lançadas de MPB e diz que pretende, no futuro, falar mais sobre paixões e sobre um erotismo menos explícito. Por enquanto, defende que discutir sexualidade também é discutir política e a forma como a sociedade trata o desejo das mulheres.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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