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Nydia Licia narra em filme a passagem dos palcos à televisão

Produção de 55 minutos reúne depoimentos da atriz e estreia nesta quarta, às 22h30, na TV Cultura.

Nydia Licia narra em filme a passagem dos palcos à televisão
Foto: Divulgação

A trajetória de Nydia Licia é contada pela própria atriz no documentário inédito “Nydia Licia - O Espetáculo Continua”, que estreia nesta quarta, às 22h30, na TV Cultura. A produção marca o centenário da artista, nascida em 30 de abril de 1926, em Trieste.

Com 55 minutos, o filme tem roteiro e direção de Simão Scholz e reúne entrevistas de Licia como atriz, apresentadora e diretora de teatro e televisão. A produção também recupera depoimentos e imagens sobre o desenvolvimento do teatro profissional em São Paulo.

Teatro e formação

Licia deixou a Itália aos 13 anos, depois que o pai, médico e professor universitário, perdeu o emprego durante o fascismo. A mãe era pianista formada em ciências musicais. Na família, a artista aprendeu poesia com o pai e desenvolveu o interesse pela música. Antes de sair do país, já havia assistido a mais de 30 óperas.

Após chegar ao Brasil, ela afirma ter aprendido português em dois meses. Em São Paulo, foi escolhida para trabalhar como assistente de Pietro Maria Bardi na criação do Masp, o Museu de Arte de São Paulo. A primeira sede da instituição ficava próxima à livraria Jaraguá, dirigida por Alfredo Mesquita, que precisava de uma atriz para interpretar Laura Wingfield em “À Margem da Vida”, de Tennessee Williams.

A oportunidade levou Licia ao teatro. No TBC, o Teatro Brasileiro de Comédia, ela conviveu com Cacilda Becker, Walmor Chagas, Adolfo Celi, Cleyde Yáconis e Paulo Autran. Em 1950, tornou-se profissional com “Huis Clos”, de Jean-Paul Sartre, ao lado de Cacilda Becker.

Televisão e memória

Licia deixou o TBC em março de 1953, acompanhando o marido, Sérgio Cardoso, para uma temporada no Rio de Janeiro. Em São Paulo, os dois fundaram o Teatro Bela Vista, inaugurado com “Hamlet”, de Shakespeare. Depois, ela permaneceu no espaço até 1970. O prédio foi demolido e deu origem ao atual Teatro Sergio Cardoso.

A artista também produziu teatro infantil, atuou em novelas das televisões Paulista, Tupi e Bandeirantes e, a partir de 1969, comandou programas na TV Cultura, entre eles “Quem é Quem”, “Presença” e “Porque Hoje é Sábado”. Como diretora, criou o Teatro 2, responsável pela montagem de 116 peças.

O documentário aborda ainda a censura enfrentada por Licia na TV Cultura e sua última conversa com Vladimir Herzog, morto sob tortura da ditadura militar, em 1975. Para Maria Angela de Jesus, presidente da Fundação Padre Anchieta, a atriz foi “uma mulher de visão, à frente de seu tempo”.

O filme termina com uma reflexão de Licia sobre o legado dos artistas: “Quando o espetáculo termina, nada sobra do trabalho de um ator.”

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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