PARIS — A Semana da Moda de Paris terminou nesta terça-feira (6) com coleções que levaram para as passarelas peças amassadas, barras desfiadas, pregas desalinhadas, rachaduras e construções manuais. O movimento respondeu à busca por roupas visualmente perfeitas, impulsionada pela inteligência artificial, ao destacar marcas do trabalho humano.
A proposta já havia aparecido em Londres, com os trench coats de aspecto pisoteado da Burberry, e avançado em Milão, onde a Prada apresentou mais de sessenta saias. Em Paris, a ideia dividiu espaço com sedução, leveza, dourado, experimentação e referências esportivas.
Sedução e leveza
Na Tom Ford, Haider Ackermann levou a sensualidade para cetins, transparências, couro, fendas e bodies brilhantes. Vestidos longos vermelhos e o batom vívido das modelos reforçaram a linguagem de provocação associada à grife. Para o designer, sedução também é atitude.
A Dior, comandada por Jonathan Anderson, explorou linhas suaves, camadas e pétalas. O designer preservou o corte circular que cria volume sem estruturas internas, em diálogo com Christian Dior por meio das saias godês e das silhuetas cropped. Barras desfiadas, tecidos transformados em tiras e paletós maleáveis aproximaram a coleção de uma aparência mais manual.
Ouro, experimentação e tradição
Na Saint Laurent, o dourado apareceu em rendas, brocados, jacquards, trench coats de látex e jaquetas safari. A cor também cobriu peças com estampas de leopardo, enquanto ombros amplos, saias lápis, fendas e saltos altos retomaram elementos ligados ao imaginário da grife.
Na Balenciaga, Pierpaolo Piccioli partiu da alta-costura para desenvolver roupas trabalhadas manualmente antes da produção industrial. Camisas brancas, calças estruturadas e mangas texturizadas com franjas destacaram a construção das peças.
Alessandro Michele levou livros à apresentação da Valentino, convidando os participantes a fazer doações na entrada da Biblioteca de Sainte-Geneviève. A coleção combinou referências intelectuais e maximalismo, mas manteve o foco na narrativa mais do que na roupa.
Esporte e imperfeição
Na Miu Miu, marca da Prada comandada por Miuccia Prada, saias colegiais receberam cadarços decorativos e funcionais, enquanto shorts esportivos foram combinados com cristais e tops. A camurça apareceu rachada e encerada, com vincos visíveis. Vestidos amarrotados e pregas imperfeitas questionaram os códigos tradicionais da vestimenta.
“Misturar elementos esportivos com sofisticação” faz parte do trabalho de Miuccia Prada. “Eu queria encontrar maneiras de introduzir beleza nessas roupas reais”, afirmou a designer.
Na Chanel, Matthieu Blazy completou seu primeiro aniversário à frente da maison. As roupas dialogaram com a criação de Gabrielle Chanel e com múltiplas identidades da moda, mas a combinação de referências foi considerada confusa. A ex-estilista Virginie Viard também voltou ao debate sobre a grife ao escrever sobre sua saída no livro “Un Regard: Une Vie Chez Chanel”, ainda sem publicação no Brasil.








