SOROCABA — Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, não cumpriu a promessa de se apresentar à polícia em até 24 horas e continuava sendo procurado nesta sexta-feira (18). Ele é alvo de um mandado de prisão temporária e é considerado foragido pela Polícia Civil.
Leite afirmou na quinta-feira (17), após a deflagração da Operação Vectura Corrupta, que estava viajando e que não era foragido. “Vou me apresentar às autoridades em até 24 horas”, declarou. O prazo terminou na manhã desta sexta-feira sem que ele se apresentasse.
A operação, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo e no poder público paulista. As investigações apontam que ao menos 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da capital seriam controladas direta ou indiretamente pela organização criminosa.
Documentos citam Leite como responsável pela operação de empresas que estariam sob influência da facção. Policiais militares também o apontam como o “dono de fato” da Transwolff, investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC. Leite nega ligação com a facção e afirma que nunca foi proprietário da empresa. A Transwolff nega que ele tenha participação societária ou administrativa na companhia.
Buscas em Sorocaba
Investigadores receberam informações de que Leite teria passado por um imóvel ligado a um assessor em Sorocaba, no interior paulista. Ele não foi localizado. Durante as buscas, os policiais encontraram uma passagem conectando imóveis ligados ao político. Também foram apreendidos cerca de R 89 mil em espécie. Os valores, somados pela cotação informada, se aproximam de R$ 740 mil.
A Polícia Civil apura se Leite esteve nos imóveis antes da chegada dos agentes.
Relações políticas
Leite manteve relações políticas com o governador Tarcísio de Freitas e com o prefeito Ricardo Nunes. Tarcísio participou, no dia 30 de agosto, do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite e Milton Leite Filho, filhos do ex-vereador.
O governador afirmou que sua relação com Leite sempre foi institucional e que as investigações devem se orientar pelos fatos. Em 2024, Leite ajudou a construir a aliança que reelegeu Nunes e oficializou o apoio do União Brasil à candidatura do prefeito.
A operação teve 16 mandados de prisão. Dez investigados haviam sido presos até a última atualização divulgada pelas autoridades. Entre eles estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL.








