COPENHAGUE — Cristiano Ronaldo deixou a concentração da seleção de Portugal antes de um treino em Copenhague, depois de uma sequência de divergências com o técnico Jorge Jesus. Nas redes sociais, o atacante afirmou que pretende dizer "a verdade a todos os portugueses" sobre sua saída, sem citar o treinador, e desejou sorte à equipe e aos companheiros.
A crise se intensificou após a partida contra a Noruega, no domingo passado. Cristiano começou no banco, enquanto Gonçalo Ramos foi titular. O camisa 7 foi aquecer depois do intervalo, mas não entrou em campo. Gonçalo Ramos marcou o gol da vitória portuguesa fora de casa, e Cristiano deixou o gramado logo após o apito final, demonstrando irritação.
Na terça-feira, o atacante também não participou do treinamento. As primeiras versões indicavam que o local não tinha os equipamentos necessários para uma atividade individual. Na quarta-feira, Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), esteve na concentração e se reuniu com Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus.
Divergências sobre a escalação
Em entrevista coletiva, Jorge Jesus afirmou que pretendia utilizar Cristiano por "20 a 30 minutos contra a Noruega", mas mudou de plano durante o jogo. O treinador reconheceu que errou ao colocar o atacante para aquecer logo depois do intervalo e declarou que as decisões sobre a utilização dos jogadores cabem à comissão técnica. Também disse que "nenhum jogador mudará suas ideias".
A relação já havia sido colocada sob tensão na estreia de Jorge Jesus no comando de Portugal, contra o País de Gales. Na ocasião, o técnico chamou Cristiano de símbolo do país, mas disse que a escalação seria definida pela comissão técnica. O atacante respondeu que deixaria a seleção se o treinador ou a federação entendesse que ele não contribuía em campo ou prejudicava o ambiente.
Cristiano foi titular contra o País de Gales, marcou um gol impedido e perdeu uma chance diante do goleiro. Substituído aos 23 minutos do segundo tempo, ouviu de Jorge Jesus que a equipe precisava de um atacante veloz para pressionar a saída de bola. "Cris não conseguia mais fazer isso. Eu sabia que, ofensivamente, ele não podia fazer muito mais", explicou o treinador.
Histórico com treinadores
Na Copa de 2022, Fernando Santos tirou Cristiano aos 20 minutos do segundo tempo na derrota por 2 a 1 para a Coreia do Sul. Nas oitavas de final, o atacante ficou no banco, e Gonçalo Ramos marcou três gols na vitória por 6 a 1 sobre a Suíça. Cristiano entrou aos 30 do segundo tempo.
Fernando Santos também o manteve como reserva nas quartas de final, quando Portugal perdeu por 1 a 0 para Marrocos. Depois, Roberto Martínez não enfrentou problemas com o atacante, que foi titular na conquista da Liga das Nações em 2025. Na Copa de 2026, Portugal foi eliminado pela Espanha nas oitavas de final, após vencer a Croácia por 2 a 1 na segunda fase.








