A Polícia investiga possível fraude a credores na recuperação judicial do Vasco envolvendo o crédito do ex-jogador Max e a atuação do presidente da Assembleia Geral do clube, Alan Belaciano. O inquérito começou em maio, na Delegacia de Defraudações.
O Vasco contestou na Justiça, em abril, a elevação do valor atribuído a Max: de R$ 2,5 milhões para mais de R$ 8 milhões. O ex-jogador, que hoje é técnico em início de carreira, já prestou depoimento.
Atuação no processo
Belaciano era advogado de Max quando o atleta apresentou a ação judicial, em 2016. Depois, a defesa passou para Moisés Gleicher, que também é investigado. A polícia apura se Belaciano continuou envolvido no caso ou se adotou alguma medida para manter sua participação após assumir uma função no Vasco.
Max afirmou à Polícia que seus advogados atuais são Sergio Aguiar e Moisés Gleicher. Segundo ele, os dois informaram que a ação poderia resultar em cerca de R$ 8 milhões, mas os limites da recuperação judicial reduziriam o recebimento a R$ 5 milhões. O ex-jogador também disse que Belaciano participou de audiências em 2017 e 2019 a seu pedido.
Belaciano foi intimado duas vezes e não compareceu. Moisés Gleicher também foi convocado e ainda não prestou depoimento. O presidente do Vasco, Pedrinho, deverá ser ouvido.
Divergências sobre o crédito
Carlos Amodeo, ex-CEO do Vasco, e Bianca Reis, ex-diretora jurídica, disseram à Polícia que foram alertados sobre uma possível irregularidade no fechamento do balanço de 2025. Eles afirmaram que o crédito de R$ 8 milhões foi incluído nos autos pelo próprio Max.
Adriana Zamponi, representante da Wald Administração de Falências, apresentou versão diferente. Ela declarou que o Vasco e a SAF reconheciam valores próximos de R$ 7,9 milhões, com divergências sobre verbas previdenciárias e imposto de renda. Após novos cálculos, a administradora chegou a aproximadamente R$ 8 milhões.
O Conselho Fiscal da SAF tratou do caso em reunião de 18 de fevereiro de 2025 e apontou possível conflito de interesses relacionado à participação de Belaciano nas negociações. O órgão também cobrou esclarecimentos sobre sete casos que o Vasco e a SAF tentam contestar na recuperação judicial. As cobranças somam R$ 10,8 milhões, incluindo a de Max.
Belaciano negou irregularidades e disse que deixou de advogar para Max e para outras partes em processos contra o Vasco ao assumir o cargo. Ele afirmou que atuou apenas para aproximar a diretoria dos advogados dos credores. Também declarou: “Eu não sou investigado, não negociei valores e não fiz nenhum cálculo na recuperação judicial.”
A Polícia prevê concluir o inquérito em um mês e ainda pretende ouvir Pedrinho.








