SÃO PAULO — Jair Cunha foi titular da Seleção Brasileira pela primeira vez na vitória por 4 a 2 sobre a Austrália, em Brisbane. Convocado por Carlo Ancelotti, o zagueiro iniciou a trajetória no futebol em Orlândia, a 365 km de São Paulo, e passou por uma mudança de posição ainda nas categorias de base do Santos.
Aos dez anos, Jair participou de avaliações no clube paulista. Ele chegou aos testes como atacante, mas os ídolos Lima e Juary identificaram características para a defesa, como a facilidade para roubar bolas, a passada larga e o bom passe. O jogador foi deslocado para a zaga e aprovado.
A família no caminho
O pai, Jair Paula da Cunha, levava o filho às partidas de futebol amador e depois o colocou em escolinhas de campo e de salão. Na escola, Jair também se destacava em provas de 100m e 200m, mas escolheu seguir no futebol.
A mãe, Ivana Horácio Pinto da Cunha, recorda que a rotina esportiva trouxe responsabilidades precoces. O filho tinha horários definidos, alimentação controlada, precisava dormir cedo e treinava todos os dias.
Durante os testes no Santos, os pais se dividiram para acompanhar o garoto. Jair pediu folgas no trabalho para ficar com o filho no litoral paulista. Depois, Ivana deixou Orlândia e se mudou para acompanhá-lo, enquanto o marido e as duas filhas permaneceram no interior.
“Se a gente não tentar, como vamos saber se vai dar certo ou não?”, disse Ivana ao lembrar das críticas à decisão.
Da base à Seleção
Depois de se profissionalizar no Santos, Jair passou pelo Botafogo e disputou o Mundial de Clubes em 2025. No mesmo ano, foi negociado por aproximadamente R$ 76 milhões com o Nottingham Forest, da Inglaterra, onde segue.
Em fevereiro de 2025, conquistou o Sul-Americano sub-20 com o Brasil, na Venezuela. A camisa 3 usada no torneio é guardada pelo pai como lembrança do título.
Jair foi uma das novidades da lista de Ancelotti para os amistosos contra Austrália e Índia. Os pais acompanharam a convocação pela televisão. Na última sexta-feira, ele entrou pela primeira vez em campo pela Seleção Brasileira e, na terça, começou como titular.
“Meu filho conseguiu e eu pude colaborar com ele”, afirmou o pai, ao dizer que a chegada do jogador à Seleção também representa a realização de um sonho que ele próprio não conseguiu alcançar.








