HIDALGO — O padre Román de la Cruz Hernández, de 48 anos, foi encontrado morto a tiros em uma estrada no distrito de Lolotla, no estado de Hidalgo, no México. O sacerdote era pároco da igreja de Santa Cruz, em Huejutla.
O corpo estava perto de uma caminhonete e apresentava ferimentos provocados por disparos de arma de fogo. Um cartaz com uma mensagem escrita também foi localizado no local, mas as autoridades não divulgaram o conteúdo. A procuradoria-geral de Hidalgo conduz a investigação.
O assassinato ocorre em um cenário de violência contra integrantes da Igreja Católica no país. Dados compilados pelo Centro Católico Multimídia indicam que mais de 80% dos assassinatos de padres registrados desde 1990 permanecem sem solução. Entre os casos citados está o homicídio do cardeal Juan Jesús Posadas Ocampo, arcebispo de Guadalajara, ocorrido em 1993.
Por que padres são alvos
Os sacerdotes atuam como referências em comunidades afetadas pela violência. Eles acolhem famílias, ouvem vítimas e defendem pessoas vulneráveis. Também permanecem em regiões de onde outros moradores fogem e denunciam abusos.
Essa atuação pode contrariar grupos que tentam impor a lei do silêncio e controlar territórios. Entre as atividades atribuídas às quadrilhas estão o tráfico de drogas, as extorsões e as disputas territoriais.
Efeitos sobre as comunidades
A ameaça ou morte de um líder religioso provoca medo e sensação de desamparo entre os moradores. A violência também afeta o exercício da liberdade religiosa, já que cidadãos e clérigos podem deixar de manifestar publicamente sua fé, prestar serviços comunitários ou se opor de forma pacífica à violência por causa do risco de morte.
Embora a legislação garanta a liberdade religiosa, o direito pode ser limitado na prática quando essas atividades passam a representar perigo para a vida.






