A Conferência Episcopal Mexicana afirmou que o aniversário de 216 anos do início da luta pela independência, celebrado em 16 de setembro de 2026, deve servir para refletir sobre os problemas sociais do país. Os bispos reconheceram avanços nos direitos das mulheres e nas instituições, mas disseram que o México continua marcado por violência crônica, impunidade e desigualdade social.
Para os líderes católicos, a celebração não pode ignorar o sofrimento da população. Eles citaram o alto número de pessoas desaparecidas, os sequestros, a corrupção e o deslocamento forçado de comunidades que fogem do crime. Na avaliação da Igreja, segurança e justiça precisam deixar de ser promessas e se tornar garantias para os cidadãos, especialmente para as vítimas que não são ouvidas ou amparadas pelo Estado mexicano.
Religião e independência
A Conferência Episcopal relacionou a origem da independência mexicana à imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. O estandarte religioso teria unido indígenas, descendentes de europeus e mestiços em torno de uma identidade comum. Em homenagem à santa, o primeiro presidente do país adotou o nome Guadalupe Victoria.
A Igreja considera Nossa Senhora de Guadalupe um símbolo central da identidade nacional. Para os bispos, essa referência religiosa deve se expressar em ajuda prática às pessoas mais pobres e desprotegidas.
Liberdades sob ameaça
Os religiosos destacaram a liberdade de expressão e a liberdade religiosa como direitos que precisam ser protegidos. A primeira, segundo eles, depende de segurança física para jornalistas e de um debate público capaz de respeitar opiniões divergentes.
A liberdade religiosa, na avaliação da Igreja, inclui o direito de educar os filhos conforme as próprias convicções e de participar publicamente do bem comum. Os bispos também defenderam que o Estado não imponha restrições de consciência.
A atuação da Igreja ocorre por meio da Caritas e de voluntários que mantêm escolas, universidades, centros para migrantes, refeitórios comunitários e clínicas. Essas iniciativas oferecem assistência em emergências e buscam reconstruir os vínculos sociais por meio do diálogo e do atendimento às comunidades.








