O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu a política fiscal do governo Luiz Inácio Lula da Silva em artigo publicado pela revista britânica The Economist. Ele afirmou que o Executivo promove um ajuste gradual das contas públicas sem interromper programas sociais e pretende alcançar superávits nos próximos anos.
Durigan disse que o déficit primário, pouco acima de 2% do PIB em 2023, deve recuar para 0,6% em 2026. Também afirmou que as despesas primárias permanecem próximas de 19% do PIB desde a aprovação do novo arcabouço fiscal, em 2023.
O ministro reconheceu a preocupação do governo com o avanço da dívida pública, mas argumentou que a consolidação fiscal continuará. Ele também atribuiu à gestão Lula a redução do desemprego e da pobreza, o aumento real do salário mínimo e a saída do Brasil do Mapa da Fome das Nações Unidas.
A publicação informou que convidou a equipe econômica de Flávio Bolsonaro para apresentar sua avaliação sobre a economia brasileira. A campanha recusou o convite.
Críticas à disputa presidencial
Em outros textos divulgados nesta quinta-feira (24), a Economist avaliou que Lula e o senador Flávio Bolsonaro, ambos candidatos à Presidência, oferecem poucas perspectivas de mudanças estruturais. Lula foi chamado de “esquerdista caduco”, enquanto Flávio recebeu a classificação de “nepo baby vingativo”.
No editorial Brazil turns its back on the future, a revista afirmou que a eleição geral de 4 de outubro oferece pouca esperança de mudança de rumo. O texto apontou a dívida pública, o baixo crescimento e a corrupção como problemas para o próximo governo.
A análise sobre o potencial brasileiro citou a produção de petróleo, a matriz de energia renovável, o agronegócio e as reservas de terras raras. Também registrou que o Brasil recebeu US$ 77 bilhões em investimentos estrangeiros no ano passado, atrás apenas da China entre os países em desenvolvimento.
Entre os obstáculos mencionados estão os juros reais elevados, o endividamento de famílias e empresas e o avanço da dívida pública. A revista afirmou que cerca de 9 milhões de empresas estão inadimplentes, enquanto o pagamento de dívidas compromete aproximadamente 30% da renda média das famílias. Também disse que a dívida pública se aproxima de 100% do PIB.
A Economist afirmou ainda que cerca de 90% do Orçamento federal está comprometido com despesas obrigatórias, principalmente aposentadorias e outros gastos previstos em lei. Na avaliação da revista, isso reduz o espaço para investimentos.
O editorial citou Renan Santos, do Missão, como um “libertário” que defende reformas estruturais e cortes de gastos. A publicação avaliou, porém, que ele e outros candidatos fora dos grupos de Lula e Bolsonaro ainda não conquistaram espaço suficiente na disputa.
A revista também mencionou as investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. Segundo a publicação, a atuação da Polícia Federal revelou relações dele com integrantes da classe política e do Supremo Tribunal Federal. O editorial citou ainda a Polícia Federal, uma imprensa independente e a reputação internacional do corpo diplomático brasileiro como instituições que continuam funcionando.








