O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova política de restrição de vistos para alguns cidadãos estrangeiros da África do Sul. A medida foi comunicada nesta terça-feira (15) pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, em meio ao desgaste nas relações entre Washington e Pretória.
A restrição será aplicada a pessoas que, segundo o governo americano, sejam responsáveis ou cúmplices pela criação ou execução de leis e políticas que permitam confisco de terras sem indenização, discriminação racial ou incitação à violência iminente contra grupos étnicos ou raciais minoritários na África do Sul.
Rubio afirmou que o governo sul-africano não respondeu adequadamente às preocupações apresentadas anteriormente. O comunicado não informou nomes de pessoas que seriam alvo da política.
Críticas dos dois governos
Os Estados Unidos também criticam as políticas de reforma agrária da África do Sul e o processo apresentado pelo país contra Israel na Corte Internacional de Justiça sobre a ofensiva israelense na Faixa de Gaza. O governo de Donald Trump afirma que medidas de combate à desigualdade racial prejudicam a população branca sul-africana.
Pretória nega a existência de discriminação ou perseguição contra pessoas brancas. O governo sul-africano afirma que ideias de superioridade racial branca ameaçam a unidade do país no período pós-apartheid, sua soberania e suas relações diplomáticas. O presidente Cyril Ramaphosa defendeu esforços internacionais para contestar relatos falsos sobre perseguição de brancos.
Trump já havia interrompido a ajuda à África do Sul, oferecido refúgio a africâneres, expulsado o embaixador sul-africano e feito afirmações falsas sobre um suposto genocídio de brancos no país.
A embaixada da África do Sul em Washington não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Três décadas após o fim do apartheid, grupos marginais ainda lamentam a perda do poder branco com a democracia. Embora a África do Sul tenha uma das maiores taxas de homicídio do mundo, a maioria das vítimas é negra.








