São Paulo, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,21 · Euro R$ 5,93 · Ibovespa 182.991 +0,00% São Paulo 19°C 19° / 33°
Mundo

Ferramenta brasileira de IA foi usada para buscar dados sobre operações dos Houthis

Wissam Maarouf pesquisou ataques e rotas de navios no Mar Vermelho antes de ser bloqueado pela empresa eesier.

Wissam Maarouf, ligado aos Houthis, usou um assistente de inteligência artificial da empresa brasileira eesier para buscar informações militares sobre o Mar Vermelho. O acesso foi bloqueado depois que a empresa identificou volume de uso muito acima do habitual e padrões de pesquisa considerados suspeitos.

Entre as consultas estavam monitoramento de incidentes, localização e rotas de embarcações, relatórios sobre ataques a navios e pedidos de análises produzidas por uma empresa britânica especializada em segurança marítima. Na época, o assistente também permitia fazer buscas na internet pelo WhatsApp.

A eesier informou que a principal hipótese é que Maarouf tenha encontrado a ferramenta após publicações da empresa nas redes sociais. “A hipótese é de que ele tenha encontrado o eesier dessa forma, possivelmente no Twitter, embora não tenhamos confirmação”, afirmou a empresa em nota.

Depois do bloqueio, permaneceram associados ao usuário o número de celular com código internacional do Iêmen e uma foto de perfil do WhatsApp. A mesma imagem era usada no Facebook e no X, antigo Twitter, onde ele se apresenta como figura pública e influenciador.

Pesquisas sobre navios

Morador de Sanaa, capital do Iêmen controlada pelos Houthis, Maarouf tinha mais de 6 mil seguidores e publicava principalmente sobre temas militares. Ele também divulgava comunicados do grupo e informações sobre ataques contra embarcações no Mar Vermelho.

Em 2025, ele pediu ao assistente dados sobre duas embarcações que operavam sob a bandeira da Libéria. Os navios foram atacados no Mar Vermelho em 1º e 2 de setembro, durante a campanha dos Houthis relacionada à guerra na Faixa de Gaza. Nos mesmos dias, Maarouf publicou no Facebook os resultados das operações contra os navios MSC Aby e Scarlet Ray.

Não há indicação clara de que ele ocupasse posição de liderança ou tivesse participado de combates ao lado dos Houthis. As publicações, porém, mostram sua ligação com a organização. Em 18 de setembro, ele escreveu “Riade [capital saudita] sob bombardeio” ao comemorar operações do grupo contra a Arábia Saudita.

O grupo iemenita

Os Houthis são um movimento político-religioso criado na década de 1990 e formado majoritariamente por seguidores do zaidismo, uma vertente do islamismo xiita. O grupo controla partes do Iêmen desde 2014, quando iniciou uma ofensiva contra o governo e deu início à guerra civil.

Em 2015, a Arábia Saudita formou uma coalizão militar para apoiar o governo iemenita reconhecido internacionalmente. Os combates entre a coalizão saudita e os Houthis continuaram até 2022, quando a Organização das Nações Unidas mediou um cessar-fogo.

A organização recebe apoio do Irã e defende a causa palestina. Depois do início da guerra na Faixa de Gaza, passou a atacar no Mar Vermelho navios ligados a Israel e a lançar drones e mísseis contra o território israelense. Estados Unidos e Reino Unido atacaram posições dos Houthis no Iêmen entre 2024 e 2025.

No segundo semestre de 2026, a Arábia Saudita e os Houthis voltaram a se enfrentar após o fim da trégua. No mesmo período, o grupo ampliou o controle no norte do Iêmen e passou a dominar praticamente todo o acesso do país ao Mar Vermelho.

Nesta semana, Maarouf publicou sobre avanços dos Houthis contra forças governamentais na província de Taiz. A região é descrita como a principal entrada para o Estreito de Bab el-Mandeb, passagem entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5