Wissam Maarouf, ligado aos Houthis, usou um assistente de inteligência artificial da empresa brasileira eesier para buscar informações militares sobre o Mar Vermelho. O acesso foi bloqueado depois que a empresa identificou volume de uso muito acima do habitual e padrões de pesquisa considerados suspeitos.
Entre as consultas estavam monitoramento de incidentes, localização e rotas de embarcações, relatórios sobre ataques a navios e pedidos de análises produzidas por uma empresa britânica especializada em segurança marítima. Na época, o assistente também permitia fazer buscas na internet pelo WhatsApp.
A eesier informou que a principal hipótese é que Maarouf tenha encontrado a ferramenta após publicações da empresa nas redes sociais. “A hipótese é de que ele tenha encontrado o eesier dessa forma, possivelmente no Twitter, embora não tenhamos confirmação”, afirmou a empresa em nota.
Depois do bloqueio, permaneceram associados ao usuário o número de celular com código internacional do Iêmen e uma foto de perfil do WhatsApp. A mesma imagem era usada no Facebook e no X, antigo Twitter, onde ele se apresenta como figura pública e influenciador.
Pesquisas sobre navios
Morador de Sanaa, capital do Iêmen controlada pelos Houthis, Maarouf tinha mais de 6 mil seguidores e publicava principalmente sobre temas militares. Ele também divulgava comunicados do grupo e informações sobre ataques contra embarcações no Mar Vermelho.
Em 2025, ele pediu ao assistente dados sobre duas embarcações que operavam sob a bandeira da Libéria. Os navios foram atacados no Mar Vermelho em 1º e 2 de setembro, durante a campanha dos Houthis relacionada à guerra na Faixa de Gaza. Nos mesmos dias, Maarouf publicou no Facebook os resultados das operações contra os navios MSC Aby e Scarlet Ray.
Não há indicação clara de que ele ocupasse posição de liderança ou tivesse participado de combates ao lado dos Houthis. As publicações, porém, mostram sua ligação com a organização. Em 18 de setembro, ele escreveu “Riade [capital saudita] sob bombardeio” ao comemorar operações do grupo contra a Arábia Saudita.
O grupo iemenita
Os Houthis são um movimento político-religioso criado na década de 1990 e formado majoritariamente por seguidores do zaidismo, uma vertente do islamismo xiita. O grupo controla partes do Iêmen desde 2014, quando iniciou uma ofensiva contra o governo e deu início à guerra civil.
Em 2015, a Arábia Saudita formou uma coalizão militar para apoiar o governo iemenita reconhecido internacionalmente. Os combates entre a coalizão saudita e os Houthis continuaram até 2022, quando a Organização das Nações Unidas mediou um cessar-fogo.
A organização recebe apoio do Irã e defende a causa palestina. Depois do início da guerra na Faixa de Gaza, passou a atacar no Mar Vermelho navios ligados a Israel e a lançar drones e mísseis contra o território israelense. Estados Unidos e Reino Unido atacaram posições dos Houthis no Iêmen entre 2024 e 2025.
No segundo semestre de 2026, a Arábia Saudita e os Houthis voltaram a se enfrentar após o fim da trégua. No mesmo período, o grupo ampliou o controle no norte do Iêmen e passou a dominar praticamente todo o acesso do país ao Mar Vermelho.
Nesta semana, Maarouf publicou sobre avanços dos Houthis contra forças governamentais na província de Taiz. A região é descrita como a principal entrada para o Estreito de Bab el-Mandeb, passagem entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden.








