NOVA YORK — O representante político do Hamas no Irã, Khaled Qaddoumi, elogiou a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a situação na Faixa de Gaza durante discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Lula voltou a criticar as políticas israelenses em Gaza e na Cisjordânia ocupada e mencionou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O presidente brasileiro também afirmou que o “genocídio praticado pelo governo Netanyahu” pode deixar marcas em milhares de palestinos. O Hamas também foi alvo de críticas na fala.
Qaddoumi classificou a postura de Lula como “positiva” e disse que o presidente brasileiro “escolheu estar do lado certo da história”. Para o representante do grupo, Netanyahu e outros criminosos de guerra são uma ameaça à humanidade e uma causa da instabilidade e da falta de segurança em nível global.
Guerra em Gaza
A guerra na Faixa de Gaza começou depois de um ataque do Hamas contra Israel, em outubro de 2023. O episódio deixou 1,2 mil mortos e levou ao sequestro de 251 pessoas. Em resposta, as Forças de Defesa de Israel (FDI) invadiram o território palestino com a promessa de destruir o Hamas.
Estimativas citadas no texto apontam mais de 71 mil palestinos mortos e mais de 173 mil feridos desde o início do conflito. A ONU afirma que cerca de 90% da população de Gaza foi forçada a deixar suas casas.
Em outubro de 2025, Israel e Hamas aceitaram um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos. O pacto tem três fases e está na segunda. Entre as medidas previstas estão o fim do governo do Hamas em Gaza e o desarmamento do grupo, que já foram aceitos. Israel deveria retirar suas tropas do enclave palestino, mas as FDI continuam realizando ataques. O governo Netanyahu afirma que a retirada só ocorrerá após o desarmamento completo do Hamas.
Relações entre Brasil e Israel
Em 2024, o Hamas já havia agradecido declarações semelhantes de Lula. Na ocasião, o presidente comparou ações das FDI em território palestino às mortes de judeus durante o Holocausto promovido pela Alemanha Nazista.
A crise diplomática entre Tel Aviv e Brasília se agravou, e as relações foram oficialmente rebaixadas em agosto de 2025. Desde então, as embaixadas do Brasil em Tel Aviv e de Israel em Brasília são comandadas por encarregados de negócios.








