A disputa sobre os limites da inteligência artificial ganhou força em governos, empresas, instituições religiosas e organismos internacionais. O ponto central é decidir se o desenvolvimento da tecnologia deve desacelerar por causa dos riscos ou avançar para evitar que a China assuma vantagem.
O papa Leão 14 alertou na quarta-feira (16/09) contra a transferência para algoritmos de decisões que dependem da consciência humana. Em maio, ele já havia defendido o “desarmamento” da IA para impedir que a tecnologia “domine a humanidade”.
No setor privado, Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, propôs um ritmo mais lento para a indústria e auditorias independentes obrigatórias nos modelos mais avançados. Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI, apoiaram a iniciativa. Altman também defendeu avaliações preventivas durante o desenvolvimento e alertou para a perda de controle do futuro e para a concentração de poder em uma única empresa, laboratório ou país.
Mark Zuckerberg, da Meta, aceitou a possibilidade de avaliadores independentes, mas rejeitou a desaceleração. Para ele, cada laboratório deve adotar medidas próprias para tornar os sistemas mais seguros. A discussão ganhou novo impulso após a saída de Jacob Coxon, que afirmou que sistemas superinteligentes poderiam extinguir a humanidade “antes do fim da década”.
Disputa entre Estados Unidos e China
Em Washington, Bernie Sanders e Steve Bannon convergiram nas críticas ao setor, mas defenderam estratégias diferentes. Sanders pretende propor uma lei para “proibir permanentemente” o desenvolvimento de uma superinteligência artificial e apoiou negociações com Pequim. Bannon defendeu o isolamento do setor chinês, com restrições a componentes, laboratórios e mercados de capitais americanos.
O governo chinês rejeitou a ideia de que a corrida tecnológica seja um jogo de soma zero e pediu cooperação com os Estados Unidos para administrar os riscos. Trump, por outro lado, chamou de “farsa” a possibilidade de a IA destruir a humanidade e afirmou que impor limites beneficiaria a China. Seu vice-presidente, JD Vance, também criticou pedidos de regulação feitos pelas próprias empresas.
Medidas na Europa e alertas da ONU
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs impedir o acesso de menores de 13 anos às redes sociais e criar contas supervisionadas para adolescentes de 13 a 15 anos. Ela também anunciou discussões com empresas de tecnologia para avaliar e reduzir riscos dos sistemas mais avançados, em coordenação com Canadá e Reino Unido.
Em Genebra, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, alertou que falhas em sistemas autônomos podem afetar infraestruturas e serviços essenciais. Ele também disse que o avanço da IA pode enfraquecer mecanismos de prevenção ligados a armas de destruição em massa.
As reações variam entre usuários. Frida Awrohum, arquiteta em Roma, usa IA no trabalho, mas sente medo. Uma estudante da Indonésia questiona se uma pessoa responderia tão bem quanto um chatbot. No Chile, uma jovem de 19 anos diz que a tecnologia “está nos tornando mais burros”. Já Diego Sermattei, de 18 anos, comemora a rapidez das pesquisas, enquanto Konno Hazuki, de 29 anos, afirma não se sentir ameaçada pela falta de emoções dos sistemas.








