PARIS — O Papa Leão XIV criticou o uso da ciência e da tecnologia para obter lucro financeiro durante uma visita oficial de quatro dias à França. Em reunião com o presidente Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, em 25 de setembro, ele defendeu que o avanço técnico seja orientado por princípios éticos e pela proteção da vida humana.
O pontífice citou a manipulação genética, a barriga de aluguel e o comércio de órgãos como práticas que exigem atenção. Também mencionou a inteligência artificial e afirmou que o desenvolvimento tecnológico deve preservar a responsabilidade humana pelas próprias ações.
Eutanásia e separação entre Estado e religião
Leão XIV se posicionou contra a eutanásia e o suicídio assistido, práticas que, segundo o texto, foram legalizadas recentemente na França. As duas são proibidas pela Igreja Católica. O papa pediu que líderes políticos protejam a vida em todas as suas fases e rejeitou o uso da ciência para facilitar o fim da existência humana por escolha.
Ao tratar da laicidade, princípio francês de separação entre instituições religiosas e governo, o papa defendeu uma “laicidade autêntica”. Para ele, a religião pode contribuir para a vida pública como recurso educacional e cultural. Leão XIV também afirmou que Estado e igrejas devem dialogar em favor do bem comum.
O pontífice disse ainda que um cristão atuando na política de acordo com sua fé não deve ser visto como ameaça à unidade nacional. A posição foi apresentada como uma contribuição para a sociedade.
Agenda na França
Em Paris, Leão XIV visitou a sede da UNESCO e a Catedral de Notre-Dame, onde homenageou bombeiros e arquitetos envolvidos na reconstrução após o incêndio de 2019. Ele também conduziu uma vigília de oração com 80 mil jovens no estádio nacional.
A programação prevê passagens por Lourdes e Metz antes do retorno ao Vaticano, em 28 de setembro. Nos discursos, o papa também pediu a proibição de armas nucleares e lamentou conflitos em curso no Oriente Médio.







