FRANÇA — O Papa Leão XIV inicia nesta sexta-feira (25) uma visita de quatro dias à França, com compromissos em Paris, Lourdes e Metz. A agenda terá como foco a doutrina social da Igreja e temas políticos e sociais contemporâneos.
O pontífice deve abordar o uso ético da inteligência artificial, a integração de migrantes e questões relacionadas ao fim da vida. Embora a viagem inclua cerimônias oficiais de Estado, o objetivo principal é pastoral: fortalecer a fé da comunidade católica e apresentar referências morais à sociedade francesa.
Catolicismo em transformação
A visita ocorre em meio a sinais de maior abertura ao catolicismo, apesar de 51% dos adultos não declararem afiliação religiosa e apenas 8% frequentarem a igreja regularmente. A França registrou, nesta Páscoa, mais de 20 mil batismos de adultos e adolescentes, crescimento que levou bispos a criarem conselhos especiais para acolher novos fiéis.
Esse movimento também foi associado à solidariedade após ataques a igrejas, à valorização do patrimônio cristão depois do incêndio da Catedral de Notre-Dame e ao trabalho caritativo da Igreja durante a pandemia.
Vida, inteligência artificial e migração
Leão XIV deve tratar da preservação da vida após a França legalizar o suicídio assistido e a eutanásia. A posição católica defende a dignidade humana desde o início até o fim natural da vida. O papa deve evitar o debate político direto e deixar essa atuação aos bispos locais, em respeito ao princípio da subsidiariedade.
Na UNESCO, o pontífice falará sobre os riscos da inteligência artificial, tema de uma encíclica recente. Ele também visitará centros de migrantes, abordando uma das questões políticas mais sensíveis da Europa.
A viagem acontece sob o princípio francês da laïcité, que estabelece a separação legal entre Igreja e Estado. O conceito historicamente gerou desconfiança sobre a presença da religião no espaço público. Ao mesmo tempo, jovens franceses têm buscado respostas para questões de sentido e demonstrado interesse por atividades religiosas, com ingressos esgotados para vigílias e missas.







