Magdalena Andersson desistiu nesta segunda-feira (28) de sua primeira tentativa de formar um governo na Suécia. A líder de centro-esquerda devolveu ao presidente do Parlamento o mandato recebido para negociar uma coalizão, após não reunir apoio suficiente entre os partidos de esquerda.
O Partido Social-Democrata terminou as eleições parlamentares como a maior força política do país. A legenda obteve 28% dos votos e 99 das 349 cadeiras do Parlamento na eleição realizada no último dia 13, conforme o resultado divulgado pela Autoridade Eleitoral sueca.
“Posso concluir, com base nisso e nas conversas que mantive, que neste momento não há possibilidade de eu formar um governo”, afirmou Andersson em entrevista coletiva.
Impasse entre os partidos
O Partido de Esquerda conquistou 30 cadeiras, os Verdes ficaram com 22 e o Partido de Centro, com 25. As quatro legendas somam 176 deputados, um a mais que os 175 necessários para formar maioria, mas não chegaram a um acordo para sustentar um governo.
A líder do Partido de Esquerda, Nooshi Dadgostar, havia dito que sua legenda só apoiaria um novo governo se participasse dele. O Partido de Centro rejeitou integrar uma coalizão com a esquerda.
As negociações se agravaram depois que o Partido de Esquerda apoiou Andreas Norlén, dos Moderados, para continuar na presidência do Parlamento. A legenda preferiu Norlén à candidata social-democrata Johanna Haraldsson. O partido afirmou que o político era “experiente, equilibrado e capaz de exercer o cargo com neutralidade”.
Andersson considerou essa decisão determinante para devolver o mandato. Segundo ela, existe uma tradição de entregar a presidência do Parlamento ao maior partido que integra o governo. A vice-presidente do Partido de Esquerda, Ida Gabrielsson, classificou a desistência como precipitada e disse que a legenda continua disposta a apoiar Andersson como primeira-ministra.
Próxima tentativa
Norlén foi reeleito nesta segunda-feira como presidente do Parlamento, por 200 votos contra 146 recebidos pela candidata dos Social-Democratas. Ele conduzirá as próximas negociações para tentar encontrar um governo tolerado pela maioria parlamentar.
O líder dos Moderados e atual primeiro-ministro, Ulf Kristersson, pode receber a oportunidade de tentar formar um governo. Os Moderados têm 70 cadeiras, os Democratas Suecos, 62, os Democratas-Cristãos, 22, e os Liberais, 19. Juntos, esses quatro partidos somam 173 deputados.
Andersson não descartou uma nova tentativa caso as negociações mudem nas próximas semanas. Ela afirmou que, “neste momento”, não vê condições para voltar ao cargo, mas que ainda é preciso acompanhar a evolução da situação política.








