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Política

Apostas on-line chegam a adolescentes e afetam renda e estudos

Pesquisas apontam início precoce nas bets, endividamento e impacto em decisões sobre educação entre estudantes e jovens brasileiros.

Apostas on-line chegam a adolescentes e afetam renda e estudos

A facilidade de acesso às apostas on-line pelo celular tem levado adolescentes e jovens a procurar ajuda por problemas relacionados à compulsão. Integrantes do grupo Jogadores Anônimos relatam a chegada de pessoas com 14 anos e também de jovens de 15, 16, 19, 20, 30 e 35 anos.

Uma pesquisa realizada no Brasil neste ano com 1.912 estudantes dos ensinos médio e fundamental mostra que 9,5% fizeram a primeira aposta aos 11 anos. Dados do Unicef indicam que uma em cada 5 pessoas no mundo começa a apostar em jogos on-line até os 11 anos; a proporção chega a 78% a partir de 12 anos.

Perdas financeiras e saúde mental

Gustavo Pereira, de 24 anos, começou a apostar aos 18. Em 6 anos, perdeu R$ 500 mil. Ele relata ter enfrentado depressão e síndrome do pânico. Há cerca de 2 meses sem apostar, vende café nas ruas de Lages (SC) e publica conteúdos sobre o trabalho e a tentativa de evitar recaídas.

A psicóloga Mariana Kehl, da Sociedade Brasileira de Psicologia, afirma que os jovens são mais vulneráveis porque o cérebro ainda está em formação. Segundo ela, as áreas relacionadas ao controle dos impulsos e à avaliação de riscos só terminam de amadurecer aos 20 e poucos anos.

Pesquisa do Ibict aponta que canais voltados ao público infantil promovem apostas ilegais explorando a falta de maturidade financeira de crianças e adolescentes. Um relatório da instituição estima que pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em bets em 2024, e quase metade ficou endividada.

Impacto na educação

Levantamento da Abmes indica que 34% dos entrevistados precisariam parar de gastar com apostas para iniciar uma graduação em 2026. Entre estudantes do ensino superior, 14% disseram ter atrasado mensalidades ou trancado o curso por causa desses gastos.

A pesquisa também mostra que 34% deixaram de investir em cursos, idiomas ou outras formas de aprendizado, enquanto 33% abriram mão de academia ou atividades físicas.

Para Paulo Chanan, diretor-geral da Admes, os dados não permitem generalizar o comportamento dos jovens, mas mostram que, para uma parcela relevante, o dinheiro destinado às apostas interfere em decisões ligadas à educação. Ele defende ações conjuntas nas áreas de educação, saúde, comportamento, regulação e políticas públicas.

O diretor do Ibict, Tiago Braga, afirma que apostas on-line são gasto, não investimento. Entre frequentadores do Jogadores Anônimos, relatos incluem comprometimento da renda, atraso de contas e endividamento. Luiz Carlos, de 71 anos, resume a mudança em relação ao período em que começou a jogar, na década de 1980: “Hoje não precisa mais, você carrega um cassino dentro do seu bolso”.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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