SÃO PAULO — Mensagens incluídas em um inquérito da Polícia Federal mostram que Daniel Vorcaro ofereceu a própria casa para um jantar com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, de “Dark Horse”. O convite foi feito por Flávio Bolsonaro em 22 de outubro de 2025, para um encontro inicialmente previsto para 2 de novembro de 2025, em São Paulo.
O senador e candidato do PL à Presidência perguntou se Vorcaro teria interesse no jantar. O empresário respondeu “topo” e sugeriu realizar o encontro em sua residência. Flávio concordou. Os dois depois remarcaram o jantar para 6 de novembro de 2025.
Vorcaro também perguntou quanto tempo Caviezel e Nowrasteh permaneceriam na capital paulista. Flávio respondeu que o ator chegaria em 30/out e que provavelmente ficaria a semana toda gravando.
Financiamento do filme
A Polícia Federal afirma que, na mesma conversa, Flávio tratou de uma parcela do financiamento que ainda não havia sido paga. O senador disse que a produção estava no 3º dia de gravação e que o orçamento estava “no limite”. Ele pediu que Vorcaro avisasse caso não conseguisse fazer o pagamento, para que fosse buscada outra fonte de recursos.
A PF registrou que Vorcaro afirmou que resolveria a situação naquele momento. No mesmo dia, Thiago Miranda, então dono do portal Leo Dias, pediu ao empresário a liberação de novas parcelas. Vorcaro respondeu que havia liberado “mais uma”.
A investigação estima o contrato do filme em US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 122 milhões na cotação atual. Os repasses feitos por Vorcaro chegaram a US$ 12,3 milhões, ou R$ 62,3 milhões na conversão.
Processos sobre o Banco Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta 6ª feira (11.set.2026) a retirada do sigilo de outros processos relacionados às investigações sobre o Banco Master. Entre eles está o inquérito sobre o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A PF aponta Flávio Bolsonaro como elo com Vorcaro na captação de recursos para a obra e afirma que o dinheiro foi administrado posteriormente pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A decisão de Mendonça atendeu a um pedido da Procuradoria Geral da República para abrir todo o processo. O ministro também incluiu mais 21 procedimentos. Na 5ª feira (10.set), a PGR havia criticado a liberação parcial de processos ligados à operação Compliance Zero.
Também deixaram de tramitar sob sigilo processos envolvendo Ciro Nogueira, Jaques Wagner e Cláudio Castro. No caso de Castro, a investigação trata de uma transferência de R$ 3,6 bilhões feita pelo Rioprevidência ao Banco Master.
O presidente do STF, Edson Fachin, deu 24 horas para o envio da íntegra dos autos da operação Compliance Zero e da petição 15.556 à Presidência da Corte e aos gabinetes dos ministros.







