A PEC do fim da escala 6x1 pode beneficiar Lula entre trabalhadores formais e parte dos eleitores que não votaram no primeiro turno, mas não há indicação de que a medida seja suficiente para superar a vantagem de Flávio Bolsonaro no segundo turno das Eleições 2026.
A proposta, identificada como PEC 221/2019, deve ser usada pela campanha petista como uma conquista ligada à qualidade de vida. O impacto tende a ser maior entre empregados do comércio e do setor de serviços, que podem considerar a ampliação do descanso semanal um ganho concreto.
Disputa na Classe C
A Classe C reúne trabalhadores assalariados, autônomos, pequenos empreendedores e consumidores com interesses políticos distintos. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve 53% das intenções de voto nesse grupo, contra 37% de Lula, conforme levantamento do instituto Meio/Ideia.
Para o cientista político Flávio Santana, da Êxito Public Affairs, os trabalhadores autônomos devem continuar priorizando crescimento econômico, empreendedorismo e menor influência do Estado. Ele afirmou que a aprovação da PEC pode reduzir a diferença entre os candidatos, mas não deve, isoladamente, superar a rejeição ao governo e as posições eleitorais já consolidadas.
Eduardo Grin, cientista político da Fundação Getulio Vargas (FGV), avaliou que a proposta pode provocar mudança de voto entre eleitores que a considerem uma conquista histórica para a qualidade de vida e temam que Flávio Bolsonaro a coloque em risco.
Votos de quem não compareceu
Cerca de 33 milhões de eleitores aptos não foram às urnas no primeiro turno das Eleições 2026. O número equivale a aproximadamente 21% do eleitorado nacional, de 158,7 milhões, e foi o maior índice de abstenção em eleições gerais registrado pela Justiça Eleitoral desde 1998, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A campanha de Lula espera mobilizar parte desse contingente com a PEC, especialmente beneficiários do Bolsa Família que ingressaram no mercado de trabalho. Para Grin, a política de transição que mantém o benefício durante um período após a contratação pode ajudar a aproximar esse eleitorado da votação.
Os analistas, porém, afirmam que a proposta também pode mobilizar eleitores contrários a Lula. Santana disse que os votos dos ausentes tendem a se dividir entre os dois candidatos e que o efeito da PEC pode variar conforme a região do país.
A aprovação da medida representaria uma vitória política do governo no Congresso, mas seu efeito eleitoral dependeria de outros fatores. A corrosão do poder de compra, a avaliação dos serviços públicos e a rejeição ao governo continuam influenciando a escolha dos eleitores. Para Santana, a PEC oferece uma pauta para Lula, mas não garante uma virada diante da vantagem construída por Flávio Bolsonaro.








