A distância entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) varia de um a cinco pontos percentuais nas pesquisas para o primeiro turno de 2026. O menor intervalo foi registrado pelo levantamento Meio/Ideia e configura empate dentro da margem de erro. A maior vantagem de Lula aparece na Quaest.
O petista alcança no máximo 45,3% das intenções de voto, de acordo com a AtlasIntel. Em 2022, na semana anterior ao primeiro turno, Lula aparecia com percentuais entre 46% e 48,3% nas pesquisas AtlasIntel, Datafolha, Ideia e Quaest. Jair Bolsonaro (PL) variava de 33% a 41%.
A diferença projetada para Lula naquele período ficava entre 7,3 e 14 pontos percentuais nos votos totais, que incluem brancos, nulos e indecisos. O resultado das urnas reduziu essa distância para 5,1 pontos percentuais, considerando os votos válidos.
Questionamentos após 2022
A divergência entre os levantamentos e o resultado eleitoral provocou cobranças sobre os institutos. Alexandre Cordeiro Macedo, então presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), pediu a abertura de inquérito administrativo por suposta manipulação e por um “comportamento coordenado” entre alguns institutos. A Polícia Federal também abriu investigações contra empresas de pesquisa.
Alexandre de Moraes, que presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tornou sem efeito as apurações do Cade e da Polícia Federal. Ele afirmou que a fiscalização dos institutos cabia à Justiça Eleitoral e que as investigações se baseavam em “presunções relacionadas à desconformidade dos resultados das urnas”.
Alguns institutos atribuíram as diferenças a amostras desatualizadas pelo atraso na coleta do Censo de 2020, realizado em 2022 e divulgado em 2023. Também mencionaram mudanças na coleta provocadas pela alta abstenção em algumas regiões.
Nas eleições municipais de 2024, os institutos captaram de forma geral as intenções de voto com mais fidelidade. Houve diferença relevante entre pesquisas e resultados das urnas em três capitais: Cuiabá, João Pessoa e Natal.
Levantamentos considerados
A comparação reúne pesquisas de quatro institutos. A Quaest entrevistou 2.004 pessoas de 24 a 27 de setembro de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais, e 2.000 pessoas de 24 a 27 de setembro de 2026 no levantamento de 2022, também com margem de erro de 2 pontos percentuais.
A AtlasIntel ouviu 5.005 entrevistados de 23 a 28 de setembro de 2026, com margem de erro de 1 ponto percentual, e 4.500 pessoas de 22 a 26 de setembro de 2022, com a mesma margem. O instituto Ideia entrevistou 2.000 pessoas de 25 a 28 de setembro de 2026, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, e 1.500 de 23 a 28 de setembro de 2022, com margem de 3 pontos percentuais.
O Datafolha ouviu 2.506 pessoas entre 28 de setembro e 1º de outubro de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais, e 6.800 entrevistados de 27 a 29 de setembro de 2022, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Todos os levantamentos informaram nível de confiança de 95%.








