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Tecnologia

Códigos em comentários levam usuários do TikTok a negociações no Telegram

Criminosos usam vídeos, comentários e links codificados para oferecer material de abuso sexual infantil e cobrar por PIX.

Códigos em comentários levam usuários do TikTok a negociações no Telegram
Foto: Reprodução/Telegram

Códigos publicados nos comentários de vídeos do TikTok estão sendo usados para levar interessados em material de abuso sexual infantil a grupos, bots, conversas privadas e páginas dentro do Telegram. Os termos identificados não serão reproduzidos para evitar sua disseminação.

No aplicativo de mensagens, os criminosos oferecem diferentes tipos de conteúdo, incluindo cenas de estupro e material envolvendo adolescentes. Antes de pedir pagamento, alguns enviam amostras gratuitas ou prévias em vídeos que desaparecem depois da primeira visualização.

As negociações podem ocorrer com a ajuda de bots, diretamente em conversas privadas ou em páginas criadas no próprio Telegram. Esses sites internos usam os chamados miniapps, que permitem abrir uma página semelhante a um site sem sair do aplicativo.

Pagamentos e rastros

Os valores são cobrados por diferentes meios, inclusive PIX. Em um dos endereços monitorados, havia pacotes por US$ 25 (cerca de R$ 130), US$ 11,99 (cerca de R$ 62) e US$ 17,50 (cerca de R$ 90). Também eram oferecidos arquivos por R$ 10 e R$ 35.

Após o pagamento, os arquivos eram enviados na própria conversa. Investigadores da Polícia Federal afirmam que criminosos usam contas de terceiros, laranjas ou ex-namoradas. A transação, porém, deixa registros da conta usada no pagamento e pode ajudar na identificação de compradores.

Responsabilização

Ana Cláudia Cifali, coordenadora jurídica do Instituto Alana, afirma que produzir, acessar e divulgar esse tipo de conteúdo são crimes no Brasil. Ela também diz que responsáveis e plataformas podem ser responsabilizados.

Uma lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 6 de agosto de 2026 ampliou as penas. Para produzir ou vender o material, a punição passou a ser de 4 a 10 anos de reclusão e multa. Para adquirir, possuir ou manter o conteúdo, a pena é de 3 a 6 anos de reclusão e multa.

O Telegram declarou que removeu 339.760 grupos e canais relacionados a esse material em 2026. A plataforma também afirmou que proíbe o compartilhamento desse conteúdo e usa moderação humana, análise de mídias e bancos de dados de arquivos já removidos.

O TikTok informou que remove rapidamente as publicações, bane as contas envolvidas e utiliza sistemas para detectar violações. A empresa disse que 99,8% dos conteúdos que violaram suas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens foram removidos de forma proativa no primeiro trimestre de 2026.

A SaferNet Brasil afirma que a estratégia também aparece em X, YouTube e Facebook. A organização entregou à Agência Nacional de Proteção de Dados um levantamento com cerca de 1.093 contas do Telegram com indícios desse tipo de material.

Em 2025, foram registrados 4.063 casos de produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil no Brasil, contra 3.280 no ano anterior, conforme o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Casos de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100. Em situações de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. Também é possível procurar qualquer delegacia, delegacias especializadas, o Ministério Público ou profissionais de saúde.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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