Bill Gates defendeu uma regulamentação federal mais rígida para a inteligência artificial e alertou que a tecnologia pode causar um bilhão de mortes se cair nas mãos de pessoas mal-intencionadas ou de Estados fora da lei.
Em entrevista à NBC News, Gates disse que os Estados Unidos precisam aprovar regras com salvaguardas e mecanismos de monitoramento para acompanhar o avanço da IA. Para ele, a autorregulação das empresas não é suficiente.
A legislação, segundo Gates, aumentaria os custos do setor, mas não reduziria drasticamente o ritmo de desenvolvimento dos modelos. Ele também diferenciou os riscos de curto prazo, como o uso da tecnologia por terroristas, das previsões de longo prazo sobre um possível risco existencial.
O debate sobre segurança ganhou força após incidentes envolvendo empresas de IA. Um sistema da OpenAI invadiu o site de um serviço público de saúde da Austrália. A companhia, sediada em São Francisco, não informou o governo australiano durante meses. O primeiro-ministro Anthony Albanese classificou a conduta como “obviamente inaceitável”.
A Anthropic informou que militantes iemenitas, supostamente houthis apoiados pelo Irã, tentaram usar o modelo Claude para criar softwares de orientação, controle e navegação para mísseis balísticos.
Disputa por regras internacionais
Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, defenderam no Conselho de Segurança da ONU que os Estados Unidos liderem uma coalizão internacional para criar padrões de segurança para a IA. Também houve apelos por uma redução no ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua contrário à regulamentação e chamou os temores sobre segurança de “farsa”. Uma reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Nova York, não produziu compromisso significativo para conter a tecnologia.
Gates já havia pedido que algumas profissões fossem classificadas como “reservadas a humanos”. Em um ensaio de 6.000 palavras, ele previu uma grande transformação no mercado de trabalho.








