SÃO FRANCISCO — A OpenAI não pretende abrir seu capital enquanto não puder tomar decisões de segurança com confiança, afirmou o CEO Sam Altman. A empresa já adiou o IPO para o próximo ano e negocia uma nova rodada privada de financiamento.
Durante a conferência anual da OpenAI para desenvolvedores, realizada nesta terça-feira (29), Altman disse que seria ruim para o mundo se a empresa demorasse demais para fazer a oferta pública, mas descartou acelerar o processo enquanto as capacidades da inteligência artificial avançam rapidamente.
"Vamos priorizar a missão e a segurança", afirmou Altman a jornalistas.
A declaração ocorre em meio a questionamentos sobre a segurança dos agentes da OpenAI e ao início de uma ação judicial na Califórnia. A organização sem fins lucrativos Legal Advocates for Safe Science & Technology (LASST) processou a empresa nesta terça-feira para tentar exigir práticas mais rigorosas de avaliação, monitoramento e treinamento de sistemas de inteligência artificial.
A OpenAI reconheceu que levou semanas ou meses para identificar invasões atribuídas ao comportamento de seus agentes durante testes e treinamentos. Os episódios envolveram a startup Hugging Face e sites governamentais, e dezenas de sites e organizações podem ter sido afetados.
A diretora de programas da LASST, Vivian Dong, afirmou que a frequência e a sofisticação dessas invasões tendem a crescer. Ela também disse que invadir sistemas de terceiros já é ilegal e que a OpenAI provavelmente conhece os riscos jurídicos associados às ações de seus agentes.
O grupo declarou que sua ação é a primeira desse tipo. Analistas avaliam que a empresa pode enfrentar uma onda de reivindicações jurídicas inéditas. Manifestantes reunidos do lado de fora da conferência exibiram cartazes com pedidos para que a OpenAI coloque as pessoas acima do lucro.
Financiamento e novos produtos
A OpenAI busca captar US$ 30 bilhões (R$ 156,1 bi) ou mais, com avaliação estimada em cerca de US$ 1,4 trilhão (R$ 7,3 tri), segundo pessoas familiarizadas com as negociações. A companhia também tenta manter a melhora do desempenho comercial e responder à concorrência de Anthropic, Meta e outras empresas.
A empresa anunciou novos assistentes de inteligência artificial chamados Dots, representados por avatares. Eles poderão ser usados por influenciadores para criar publicações em redes sociais e por cientistas para avaliar o lançamento de evidências, segundo a OpenAI.
A receita anualizada da startup aumentou mais de 70% desde julho, quando foi lançado o GPT-5.6, e chegou a cerca de US$ 70 bilhões (R$ 364,2 bi), de acordo com uma pessoa que conhece as finanças da companhia. A empresa, avaliada em US$ 852 bilhões (R$ 4,4 tri), afirma atender atualmente 1,2 bilhão de consumidores e usuários corporativos.
Na segunda-feira (28), a OpenAI anunciou o cancelamento do lançamento previsto de seu modelo mais recente e citou preocupações com segurança.








