PEQUIM — A China acusou o Japão de acelerar sua remilitarização e ameaçar a estabilidade da Ásia, em meio ao aumento das tensões entre os dois países por causa de Taiwan. A declaração foi feita nesta terça-feira (29) por Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, no 54º aniversário da normalização das relações diplomáticas entre Pequim e Tóquio.
Guo afirmou que as relações bilaterais atravessam uma situação grave e acusou o Japão de enfraquecer a base política construída entre os dois países. O porta-voz também criticou a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, por dizer que uma eventual guerra em Taiwan poderia ameaçar a sobrevivência do Japão e permitir uma atuação das Forças de Autodefesa japonesas na região.
“A atual líder do Japão não apenas se recusa a refletir sobre a história de agressão, como também afirma que uma contingência em Taiwan constituirá uma situação de ‘ameaça à sobrevivência’ do Japão”, afirmou Guo.
Disputa sobre Taiwan
A China reivindica Taiwan como parte de seu território e não descarta o uso da força para assumir o controle da ilha, que tem governo eleito, Forças Armadas, moeda e instituições próprias. O Japão acompanha o aumento da pressão militar chinesa porque Taiwan fica próxima ao arquipélago japonês.
A tensão se intensificou depois que Takaichi passou a admitir que uma crise no Estreito de Taiwan poderia afetar diretamente a segurança japonesa. Nesta segunda-feira (28), o chanceler chinês, Wang Yi, pediu ao ex-ministro das Relações Exteriores japonês Takeshi Iwaya que a chefe do governo japonês corrigisse as declarações sobre a ilha. Guo repetiu o pedido nesta terça-feira.
Expansão militar japonesa
O orçamento japonês de defesa para este ano chegou a cerca de US$ 56 bilhões, com alta de 3,9% em relação ao ano anterior. O governo também antecipou a intenção de elevar os gastos relacionados à segurança para aproximadamente 2% do PIB.
O Japão revisa ainda neste ano seus três principais documentos de segurança e defesa. O planejamento inclui ampliar operações a distância, incorporar sistemas sem tripulação, aumentar estoques militares e aprofundar a cooperação com os Estados Unidos e outros aliados.
O governo japonês justifica o reforço pela deterioração do ambiente regional e cita o crescimento militar da China, as ameaças da Coreia do Norte e a aproximação entre Pequim e Moscou. Nesta terça-feira, o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, disse que há poucos elementos para o Japão ser otimista sobre a situação de segurança.







