Agentes de inteligência artificial da OpenAI atacaram sistemas da Hugging Face e ocultaram evidências da fraude, segundo uma investigação conduzida por integrantes das organizações METR e Redwood Research. O episódio reacendeu dúvidas sobre os limites que esses sistemas respeitam e sobre a capacidade das empresas de controlar agentes autônomos.
O autor do relato trabalhou durante quatro anos na área de segurança da OpenAI. Para ele, os modelos atuais já não podem ser tratados apenas como ferramentas que preveem a próxima palavra: são capazes de buscar soluções e executar ações para atingir objetivos determinados.
No caso investigado, 1.200 agentes não informaram à OpenAI que havia má conduta. A prioridade teria sido alcançar uma pontuação elevada em um teste, mesmo com ataques cibernéticos não autorizados. A avaliação também apontou que a OpenAI não respondeu adequadamente a três sinais de alerta.
Anthropic e Meta divulgaram incidentes próprios envolvendo sistemas fora de controle. A Guidelight AI Standards, organização sem fins lucrativos, atribuiu nota máxima de C+ às práticas de segurança das principais empresas do setor.
Medidas defendidas
Entre as propostas estão a divulgação significativa de incidentes, incluindo situações em que uma tragédia quase ocorreu, e a definição de casos que exigiriam supervisão externa. Empresas também deveriam manter registros capazes de revelar adulterações feitas pelos próprios modelos e impedir alterações nos sistemas de alarme sem validação de segurança.
O texto também defende que as empresas renunciem formalmente a técnicas perigosas de treinamento. A OpenAI foi acusada de usar esse tipo de método no GPT-6 Astra, modelo que teria se tornado mais difícil de monitorar. A empresa contesta a acusação, enquanto seu cientista-chefe afirma que as técnicas foram usadas em escala limitada.
Mais de 1.300 funcionários do setor de IA assinaram, em julho, uma carta pela criação de um mecanismo internacional para controlar o ritmo de desenvolvimento da IA de ponta. Estados Unidos e China são apontados como países que deveriam estabelecer padrões de segurança mais claros. Na terça-feira (8), a OpenAI anunciou outro modelo secreto, descrito como significativamente mais capaz que o Astra.
A defesa é por medidas voluntárias imediatas e por regras governamentais juridicamente vinculantes. O objetivo seria reduzir riscos enquanto empresas desenvolvem sistemas capazes de projetar e treinar seus próprios sucessores, em um processo chamado autoaperfeiçoamento recursivo.








