SÃO PAULO — O rio Ribeira de Iguape subiu cerca de 12 metros desde o início das chuvas, enquanto temporais provocaram mortes, desaparecimentos, alagamentos e danos em rodovias no Paraná e em São Paulo. No Paraná, quatro pessoas morreram desde a semana passada, e duas continuam desaparecidas.
Na cidade de São Paulo, o acumulado registrado no Mirante de Santana chegou a 253,8 mm até as 9h desta segunda-feira (14). Em apenas 14 dias, setembro se tornou o mês mais chuvoso na capital desde 1943, quando começaram as medições do Instituto Nacional de Meteorologia. O volume é três vezes maior que a média climatológica de todo o mês, de 83,3 mm.
Ocorrências no Paraná
O Corpo de Bombeiros encontrou nesta segunda-feira (14) o corpo de um homem às margens do rio Ribeira, em Rio Branco do Sul. Ele estava em um carro levado pela enxurrada no domingo de manhã, quando o motorista e um passageiro tentaram atravessar uma ponte submersa. O veículo foi localizado no rio ainda no domingo, e a identidade do homem não foi divulgada. A outra vítima continua desaparecida.
Também no domingo, um morador da comunidade das Pacas, em Tunas do Paraná, desapareceu por volta das 18h depois de sair para consertar os canos de água de uma nascente. Três pessoas da mesma família morreram na quinta (10), em Ponta Grossa, após a casa onde moravam ser soterrada por um barranco.
Desde quarta-feira (9), as chuvas provocaram a cheia de rios no Vale do Ribeira, além de danos nas redes de água e energia e interdições em rodovias. Segundo a Defesa Civil, 2.468 pessoas precisaram deixar suas casas. Mais de 70 cidades paranaenses registraram ocorrências relacionadas aos temporais.
Adrianópolis está parcialmente isolada após um trecho da BR-467, no quilômetro 6, ceder integralmente. Moradores da área rural também enfrentam falta de água, energia e internet. Em relato sobre a situação dos avós, que vivem no local, a professora Heliana Castro afirmou: "Eles estão ilhados. A falta de energia é comum." Ela disse que a água começou a faltar no sábado de manhã.
Situação paulista
No Vale do Ribeira, 152 famílias deixaram casas e comércios por causa do risco de enchentes. Dez das 22 cidades da região estão entre as que mais receberam chuva nas últimas 72 horas, conforme boletim da Defesa Civil.
Na Grande São Paulo, os bombeiros procuram um homem de 33 anos levado por uma enxurrada no sábado (12), em Jandira. Valdiran Pires de Jesus estava com outras duas pessoas. Uma mulher de 32 anos se salvou ao se agarrar à vegetação às margens do rio. O corpo de Rogério Ferreira Barbosa, 32, foi encontrado na madrugada de domingo, no piscinão de Barueri.
Em Praia Grande, na Baixada Santista, um agente da Guarda Civil Municipal caiu em uma cratera aberta na orla, no bairro Caiçara, perto da rua Vitório Morbin. O caso ocorreu na noite de domingo.
Previsão
Os meteorologistas Guilherme Borges, da FieldPro, e Alexandre Nascimento, da Nottus, relacionam o cenário à atuação do El Niño e à combinação de duas frentes frias vindas da região Sul, que ficaram estacionadas sobre o norte paranaense e o sul paulista por causa de uma massa de ar quente e seco na região central do país.
As chuvas devem diminuir a partir desta terça-feira (15) e dar uma trégua até sábado (19). Outra frente fria pode chegar no domingo (20), com possibilidade de mais chuva e novas enchentes. A Defesa Civil paulista estuda antecipar sua operação de combate aos efeitos da chuva, prevista oficialmente para começar em 1º de dezembro e terminar no fim do verão.








