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El Niño deixa quatro pinguins em colônia quase vazia no Peru

Em Punta San Juan, restam quatro aves entre quase 200 ninhos abandonados após a chegada de águas quentes e escassez de peixes.

El Niño deixa quatro pinguins em colônia quase vazia no Peru
Foto: The New York Times

Restam apenas quatro pinguins-de-humboldt em Punta San Juan, no Peru, onde quase 200 ninhos estão vazios. O local já abrigou uma das maiores colônias reprodutivas da espécie no mundo, mas enfrenta novos impactos provocados pelo El Niño.

O fenômeno traz águas quentes do oeste e afasta os peixes de águas frias dos quais os pinguins dependem. A ocorrência costuma seguir ciclos de dois a sete anos. Durante a atual temporada reprodutiva, que normalmente vai de março a dezembro, os animais começaram a abandonar os ovos depois do pico do outono.

A bióloga Susana Cárdenas-Alayza, diretora do programa de conservação de Punta San Juan, disse que não esperava encontrar muitos animais ao verificar a colônia. Segundo ela, os pais deixam de se revezar na proteção dos ovos e filhotes quando a busca por alimento demora mais. Em alguns casos, adultos abandonam os filhotes e não retornam.

A colônia havia sido atingida pela gripe aviária de 2022, que matou milhares de aves, e por um El Niño em 2023, que reduziu a população a algumas centenas de indivíduos. Agora, apenas três anos depois, os pinguins enfrentam um fenômeno que pode ser o mais forte já registrado. Cárdenas não espera uma recuperação rápida mesmo depois do fim do El Niño.

Carlos Zavalaga, ecólogo de aves marinhas da Universidad Científica del Sur, em Lima, afirmou ter encontrado muitos outros ninhos abandonados no país. Ele prevê o aparecimento de pinguins fracos e mortos ao longo do litoral peruano com a intensificação do fenômeno.

Proteção das colônias

Cientistas defendem a ampliação das áreas protegidas do Peru e o reforço das restrições à pesca industrial. Em terra, recomendam preservar as áreas de reprodução e reduzir atividades como a extração de guano, usado pelos pinguins para cavar tocas que protegem os ninhos.

Patricia Majluf, bióloga que acompanhou um Super El Niño em 1997-98, relatou que cerca de 80% das populações animais com as quais havia trabalhado desapareceram até o fim daquele evento. Ela citou pinguins-de-humboldt, corvos-marinhos, pelicanos e lobos-marinhos.

As aves podem mergulhar a quase 152 metros, migrar a 32 km/h e se reproduzir uma segunda vez no mesmo ano se a primeira ninhada não sobreviver. Ainda assim, a recuperação depende do retorno dos animais e da adoção de medidas de conservação. “Primeiro, precisamos esperar que os animais voltem”, disse Cárdenas.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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