O fenômeno El Niño pode reduzir em pelo menos 2% o Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina ao longo de três anos, estima a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). Metade do impacto deve ocorrer no primeiro ano.
A Cepal também calcula que os efeitos do fenômeno podem elevar a pobreza e atingir até 4,8 milhões de pessoas adicionais até o fim da década. Energia, pesca, agricultura e parte da infraestrutura estão entre os setores mais expostos.
Energia e pesca
Em vários países da região, mais de 70% da matriz elétrica depende de hidrelétricas, enquanto mais de 50% da capacidade instalada tem mais de 30 anos. O relatório prevê aumento da demanda por eletricidade para climatização em grandes metrópoles como São Paulo, Lima e Cidade do México, em períodos de menor disponibilidade hídrica. O cenário pode elevar o risco de cortes de energia e os custos operacionais.
As águas mais quentes também podem alterar a cadeia alimentar marinha e provocar a migração de espécies. Em episódios anteriores de Super El Niño, as capturas pesqueiras regionais caíram 52,7% entre 1972-1973 e 26,9% entre 1997-1998, conforme o relatório.
A agropecuária deve ser afetada principalmente pela ocorrência de secas. Para reduzir os danos, a Cepal recomenda investimentos na proteção de ativos e infraestruturas estratégicas, sistemas de alerta precoce e fundos de reserva, títulos de catástrofe e seguros.








