PEIXOTO DE AZEVEDO — O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, foi diagnosticado com câncer do aparelho digestivo e passa por tratamento paliativo. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (14) pelo instituto que leva seu nome e atua na proteção dos direitos dos povos indígenas na Bacia do Rio Xingu.
Raoni permanece sob uma estrutura de assistência domiciliar em Peixoto de Azevedo, município de Mato Grosso, próximo à aldeia amazônica onde vive há décadas. O instituto afirmou que os cuidados paliativos buscam a “melhor qualidade de vida possível” e não significam ausência de tratamento.
Internações e cirurgia
O líder kayapó enfrentou uma série de problemas de saúde neste ano, com internações em Mato Grosso e São Paulo. Em razão da idade, passou por procedimentos menos invasivos, mas também foi submetido a uma cirurgia.
Raoni recebeu alta em 15 de julho do Hospital São Paulo, da Unifesp, após quase um mês de internação para tratar uma obstrução intestinal e complicações clínicas. Ele havia sido internado em 19 de junho com obstrução intestinal alta e pneumonia aspirativa. No dia seguinte, passou por uma cirurgia para desobstrução e manutenção do trânsito intestinal.
Durante a permanência na Unifesp, foi levado à UTI após uma hemorragia digestiva em junho. Depois, voltou para a enfermaria, mas teve um segundo sangramento em 10 de julho, além de leve piora da função renal e tosse com secreção. Também passou por dois procedimentos para conter hemorragias digestivas.
O hospital informou que Raoni apresentou evolução clínica favorável e recebeu alta em condição estável. Antes da transferência para São Paulo, ele estava internado no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop (MT), após episódios de vômito, tosse persistente e dores abdominais. A transferência foi feita para continuidade do tratamento especializado e acompanhamento cirúrgico, em uma aeronave disponibilizada pelo Governo de Mato Grosso.
Raoni nasceu na aldeia Kapot (MT) e se tornou uma liderança indígena reconhecida internacionalmente pela defesa da Amazônia e dos povos originários. Após conhecer o músico britânico Sting em 1989, iniciou viagens internacionais em defesa da floresta amazônica. Como não foi registrado ao nascer, sua data exata de nascimento é desconhecida. A partir de relatos do cacique, o antropólogo Fernando Niemeyer calcula que ele seja de 1937, sem confirmação oficial.







