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Videoconferência minutos antes do ataque é peça central no caso Ruy Ferraz

Promotores apontam que uma chamada de vídeo ajudou a coordenar os envolvidos; 12 réus aguardam decisão sobre júri popular.

Videoconferência minutos antes do ataque é peça central no caso Ruy Ferraz
Foto: Folhapress

Uma chamada de vídeo iniciada às 18h12 de 15 de setembro do ano passado é apontada pelo Ministério Público de São Paulo como indício de que os envolvidos no assassinato de Ruy Ferraz Fontes recebiam informações em tempo real sobre os deslocamentos da vítima. A ligação reunia Marcos Augusto Rodrigues Cardoso, conhecido como Fiel, e outros três contatos.

Quatro minutos após o início da chamada, o ex-delegado-geral foi atacado com tiros de fuzil em Praia Grande, no litoral paulista. Para os promotores, a comunicação ajuda a explicar a coordenação entre criminosos que estavam em veículos diferentes. A videoconferência acabou às 18h18, dois minutos depois de os autores iniciarem a fuga.

O ataque começou a menos de 130 metros da sede da Prefeitura de Praia Grande, onde Ferraz trabalhava. Os disparos partiram de uma Toyota Hilux. Segundo a acusação, integrantes que estavam em um Renault Logan avisaram os ocupantes da Hilux sobre a movimentação do ex-delegado.

Ferraz tentou escapar ao virar à esquerda e acelerar, mas foi perseguido por 400 metros. O carro bateu em um ônibus. Depois, homens encapuzados saíram da Hilux e efetuaram dezenas de disparos. O veículo usado no ataque foi incendiado minutos depois, o que eliminou material genético e outros vestígios.

Situação dos réus

Um ano depois do crime, 12 suspeitos foram denunciados. Oito estão presos, três são foragidos e uma mulher responde em liberdade depois de permanecer dois meses detida. Todos se tornaram réus e aguardam o andamento do processo para saber se serão submetidos a júri popular. Não há prazo para essa decisão.

As defesas de seis acusados negaram participação. Os advogados de outros três não foram identificados. A defesa de Cardoso não respondeu, mas Joel Barbosa afirmou à Justiça que não há provas contra ele e que pode demonstrar que o acusado não estava em Praia Grande no dia do crime.

A defesa de Fernando Alberto Teixeira disse que ele “nega veementemente qualquer participação na morte do delegado”. Os advogados de Manoel Alberto também afirmaram que ele é inocente e que a acusação “não pode se sustentar em conjecturas [e] ilações”.

Investigação e suspeitas

As apurações reuniram impressões digitais, uma denúncia anônima, informações sobre o trajeto dos veículos e dados extraídos de celulares. Os documentos indicam funções distintas entre os denunciados, como monitoramento da vítima, apoio logístico, transporte de armas e aluguel de imóveis usados como base. Um deles é acusado de lavar carros ligados ao crime para apagar provas.

Marcos Augusto Rodrigues Cardoso foi relacionado ao caso a partir do celular de Umberto Alberto Gomes, de 39 anos, identificado inicialmente pelo rastreamento do Renault Logan. Gomes morreu em um confronto com policiais em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. No aparelho, havia conversas sobre a morte de Ferraz, a destruição do Logan e um plano de fuga para o Paraguai.

O telefone também registrava diálogos com suspeitos que teriam cedido casas ao grupo e um número associado a Márcio Serapião, conhecido como Velhote e apontado como outro participante da videoconferência. A denúncia do Ministério Público não identifica todos os integrantes da chamada; a ligação de outro réu é uma suspeita baseada no nome salvo na agenda de Fiel.

Luiz Antônio Rodrigues de Miranda, o Gão, foi apontado a partir de uma denúncia sobre um esconderijo de armas na Vila Luso, na capital paulista. Uma câmera o registrou carregando uma manta cor-de-rosa na manhã de 15 de setembro. Para a polícia, o objeto escondia um fuzil. Gão está foragido.

Possível motivação

Autoridades afirmam que Ferraz era ameaçado havia quase 20 anos. Ordens de integrantes do PCC, o Primeiro Comando da Capital, para matá-lo eram conhecidas desde 2006, depois de o então delegado participar do indiciamento de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e de outros integrantes da cúpula da facção.

Uma carta localizada pela polícia em julho de 2019, durante uma operação na cidade de São Paulo contra uma célula do PCC, é a principal evidência apresentada pela acusação sobre a motivação. As denúncias não explicam por que o ataque ocorreu seis anos depois da ordem nem estabelecem ligação direta entre o documento e os réus.

A hipótese mencionada por autoridades é que Fernando Alberto Teixeira, Manoel Alberto e Márcio Serapião, apontados como líderes do grupo, buscavam vingança por terem sido presos em investigações conduzidas por Ferraz décadas atrás.

Pedro Luiz da Silva Moraes, o Chacal, citado em janeiro como possível mandante e apontado como integrante da cúpula do PCC, não foi denunciado e deixou de ser investigado. Uma decisão judicial de março concluiu que as suspeitas contra ele se baseavam apenas em uma denúncia anônima, sem outras provas.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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