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Economia

Perfis sintéticos usam vídeos e anúncios para monetizar audiência nas redes

Avatares criados por inteligência artificial vendem produtos, simulam especialistas e podem ser usados em fraudes e desinformação médica.

Perfis sintéticos usam vídeos e anúncios para monetizar audiência nas redes
Foto: Reprodução/TikTok

Avatares hiper-realistas criados por inteligência artificial passaram a operar como vendedores, influenciadores e falsos especialistas em redes sociais. Mesmo sem existir no mundo real, eles aparecem em vídeos, transmissões ao vivo e anúncios no TikTok, no YouTube e no Instagram.

A receita pode vir da monetização de vídeos, de comissões por vendas em marketplaces, da divulgação de produtos digitais e da negociação de perfis com alto engajamento. Depois de conquistar público, alguns canais são direcionados a outros temas ou vendidos para campanhas políticas.

Conteúdo em escala

Ferramentas de automação permitem produzir os personagens em grande volume. Um mesmo roteiro pode ser traduzido e encenado por 20 avatares para alcançar países e públicos diferentes, de acordo com mapeamentos da organização Ctrl Z.

Os conteúdos abrangem temas históricos, entretenimento infantil e narrativas apelativas. Também há perfis que promovem produtos de saúde, sugerem tratamentos sem comprovação científica ou oferecem conselhos. Fernando Ferreira, pesquisador do NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor em IA, afirma que os algoritmos direcionam os vídeos a pessoas interessadas em assuntos específicos e transformam a atenção em receita.

No YouTube, vídeos genéricos gerados por IA, conhecidos como slop, podem ser usados para atingir os requisitos de monetização da plataforma: 4 mil horas de exibição e mil inscritos. Para a Ctrl Z, esses materiais podem conter erros históricos, desinformação e apelos sensacionalistas. Após alcançar a meta, o canal pode ser redirecionado para a venda de ebooks ou outros produtos digitais.

Risco para usuários

A saúde é apontada como uma das áreas de maior risco. A Ctrl Z identificou comentários de pessoas que afirmam seguir tratamentos sugeridos por avatares e ter abandonado o tratamento tradicional.

A advogada Gisele Kauer, especialista em cibersegurança, afirma que os criadores continuam sujeitos a crimes previstos no Código Penal Brasileiro, como estelionato, fraude, exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica. Para ela, o problema não é usar personagens de IA para ganhar dinheiro, mas induzir usuários ao erro para obter vantagem financeira ilícita.

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP, diz que personagens sintéticos e interações afetivas simuladas podem ampliar inseguranças e criar padrões estéticos inalcançáveis. Ele descreve a IA como uma “caixa de multiversos” capaz de fabricar realidades paralelas.

Responsabilidade das plataformas

Especialistas defendem que conteúdos gerados por IA tenham sinalização obrigatória e destacada. Também pedem que as plataformas reforcem a moderação de materiais monetizados, em vez de depender apenas da autodeclaração dos criadores.

Ferreira afirma que a responsabilidade não deve ser transferida ao usuário final, porque as próprias plataformas recomendam os conteúdos. Para ele, é necessário indicar claramente quando um material foi produzido por IA.

O YouTube informou que aplica regras contra desinformação médica, exige a divulgação de mídia alterada ou sintética fotorrealista e pode inserir rótulos nos vídeos. A empresa disse que usa tecnologia e análise humana para identificar conteúdos que deveriam ter sido sinalizados. Violações podem levar à remoção de materiais e à suspensão do canal do Programa de Parcerias (YPP).

O TikTok afirmou que também exige a identificação de conteúdos gerados por IA e proíbe vídeos que induzam o público ao erro. Perfis que descumprirem as regras podem perder temporária ou permanentemente o acesso ao Programa de Recompensas do Criador.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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