SÃO PAULO — Javier Milei voltou a declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente argentino afirmou que a eleição do candidato de direita poderia interromper o “curso socialista decadente” no Brasil governado por Luiz Inácio Lula da Silva.
A declaração ocorre em meio à crise diplomática entre Brasil e Argentina, iniciada no fim de julho. Após ataques de Milei contra Lula, o governo brasileiro decidiu retirar o embaixador Julio Bitelli do posto em Buenos Aires. Em agosto, o Itamaraty confirmou que o diplomata não retornaria à Argentina.
Escudo das Américas
Depois do discurso na ONU, Milei foi questionado sobre uma possível entrada do Brasil no Escudo das Américas caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente em outubro. Criada em março deste ano pelos Estados Unidos, a coalizão de segurança reúne 15 países da América Latina. Brasil e México não foram convidados.
“Tenho esperança de que o Brasil possa quebrar este curso socialista decadente”, disse Milei na ONU. Ele também afirmou que o país poderia voltar a abraçar as ideias da liberdade e integrar o grupo de países livres.
A relação entre os dois países foi oficialmente rebaixada em agosto, quando o Brasil decidiu não enviar Bitelli de volta a Buenos Aires. O diplomata havia sido chamado ao Brasil depois das declarações de Milei contra Lula.
Crise diplomática
Os ataques começaram em 25 de julho, quando Milei participou, em São Paulo, da convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Na ocasião, chamou Lula de “presidiário” e o acusou de levar o Brasil ao “caminho da crise”.
No dia seguinte, Milei afirmou que Lula teria interferido nas eleições locais de 2023 e investido 1 bilhão de dólares, cerca de R$ 5 bilhões, na campanha de Sergio Massa. O presidente argentino também classificou Lula como “ladrão e corrupto”.
Após o retorno de Bitelli ao Brasil, o Itamaraty realizou quatro reuniões para avaliar o cenário e convocou Daniel Raimondi, então embaixador da Argentina em Brasília, para prestar esclarecimentos. Em 4 de agosto, o governo brasileiro decidiu não enviar Bitelli de volta à Argentina. Dias depois, Raimondi também deixou o Brasil.
Desde então, as duas embaixadas são chefiadas por diplomatas com funções administrativas e consulares, sem um representante máximo. A possível reaproximação entre Brasília e Buenos Aires ficou mais distante após a nova manifestação de Milei em favor de Flávio Bolsonaro.








