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Dos à Deux leva palavra e crítica social ao palco em “Confuzo”

Espetáculo acompanha um Homem-Árvore submetido a julgamento e amplia o uso da palavra na trajetória da companhia.

Dos à Deux leva palavra e crítica social ao palco em “Confuzo”
Foto: Victor Pollak/Divulgação

A companhia Dos à Deux estreia uma nova fase de sua pesquisa cênica com “Confuzo (Está Escurecendo Dentro de Mim)”, espetáculo que utiliza, pela primeira vez em seu trabalho, a palavra como elemento central do palco. A montagem acompanha o Homem-Árvore, interpretado por André Curti, diante de uma sociedade que rejeita sua existência.

Na peça, o personagem tenta fincar raízes em um solo que não o aceita. Em determinados momentos, aparece nu ou com um sobretudo preto e equilibra sobre a cabeça um tronco de quatro quilos. Seu corpo e sua natureza o transformam em réu. A personagem defende que dogmas religiosos e leis restringem a liberdade individual e afirma: “Não é possível ser estrangeiro em meu próprio planeta”.

Em contraponto, o Homem-Luz, vivido por Artur Luanda Ribeiro, pedala uma bicicleta-geringonça que produz a energia elétrica usada no desenho de luz. Varas côncavas equipadas com LEDs vermelhos se movimentam pelo palco e formam uma estrutura de vigilância sobre o personagem, cujos galhos, sombras e brotos são tratados como desvios.

O texto adota uma construção poética e articula uma crítica à ganância corporativa ligada à destruição do clima, à intolerância contra a liberdade da sexualidade e à xenofobia alimentada por interesses políticos. O título com “z” também faz uma referência indireta ao ensaio “S/Z”, de Roland Barthes, associado à ideia de castração social.

Trajetória da companhia

Fundada em 1998, em Paris, a Dos à Deux está sediada no Rio de Janeiro desde 2015. A companhia desenvolve uma linguagem ligada ao teatro físico e imagético, com uso de gestos estilizados, iluminação difusa, objetos, máscaras e bonecos como extensões do corpo.

A montagem dialoga com o trabalho do diretor polonês Leszek Mądzik (1945-2025), especialmente na relação entre luz e sombra e na integração entre som, iluminação e coreografia. Elementos de trabalhos anteriores também reaparecem, como a solidão e a distopia de “Ausência”, de 2012, a fragmentação corporal de “Gritos”, de 2016, e a atmosfera cerimonial de “Enquanto Você Voava, eu Criava Raízes”, de 2022.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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