O dólar foi negociado abaixo de R$ 5 nesta segunda-feira (5), em um movimento acompanhado pela bolsa de valores brasileira, a B3. O mercado passou a revisar suas projeções depois de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A B3 atingiu alta de 4,05% após meia hora de operações. Antes das 11h, o índice chegou a 8,91%, aos 209 mil pontos, maior marca da sessão e recorde de negociação. O volume movimentado alcançou R$ 5,7 bilhões. No início do pregão, a bolsa operava perto da estabilidade.
A disputa presidencial será decidida em 25 de outubro. Mais de 158 milhões de brasileiros estavam aptos a votar no primeiro turno, e quase 1 milhão de eleitores participaram da votação no exterior.
Projeções para a economia
A vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula, diferente da indicada pela maioria das pesquisas, passou a alimentar expectativas de um ajuste fiscal consistente em 2027. O resultado eleitoral também levou investidores a considerar os possíveis efeitos de uma eventual mudança de governo sobre a economia brasileira.
Entre os pontos observados pelo mercado está o desequilíbrio fiscal, situação em que as despesas do governo superam de forma recorrente a arrecadação. A avaliação apresentada é que esse quadro aumenta a desconfiança sobre a capacidade do país de honrar compromissos e pode alimentar um ciclo econômico negativo.
A dívida bruta brasileira chegou a 82,9% do PIB. As regras atuais do arcabouço fiscal são consideradas insuficientes para interromper esse avanço.
Para financiar um governo endividado, investidores podem exigir retornos maiores nos títulos públicos. Esse movimento eleva os juros futuros e pressiona o Banco Central a manter elevada a taxa básica para conter a inflação. A taxa está em 13,75%, o que encarece o crédito para empresas e famílias.
Declarações de Lula sobre superávits fiscais e expansão de gastos para programas sociais perto do período eleitoral são vistas como sinais de alerta pelo mercado. Sem indicação clara de controle das despesas, os agentes projetam um cenário de dominância fiscal, em que a política fiscal expansionista reduz os efeitos da política monetária.








