SÃO PAULO — O principal índice da B3 abriu o pregão desta terça-feira (6) aos 208,9 mil pontos, alta de 1%, renovando o recorde histórico. O dólar era negociado a R$ 4,946, permanecendo abaixo de R$ 5.
O movimento ocorre pelo segundo dia seguido após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminar o primeiro turno da eleição presidencial à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição.
Na segunda-feira (5), primeiro dia de negociações depois da votação de domingo (4), a bolsa passou o pregão com valorização de 8% e encerrou as operações em alta de 7,7%, aos 206,1 mil pontos. Na mesma sessão, o dólar caiu 4,1%, para R$ 5,001, a menor cotação desde maio. Nesta terça-feira, a moeda registrava variação de 1,11% em relação ao fechamento anterior.
Expectativas para a economia
Investidores começaram a se ajustar à possibilidade de mudança no governo federal e na condução da economia brasileira. No mercado financeiro, um eventual governo liderado por Flávio é considerado mais propenso a promover ajustes fiscais.
A avaliação sobre Lula é marcada por desconfiança, ampliada pelo pacote de benefícios adotado antes do primeiro turno. Entre as medidas está o aumento dos valores do Bolsa Família, com impacto estimado em R$ 5,8 bilhões. O governo também deve deixar de arrecadar R$ 1,5 bilhão com o fim das bets.
A dívida bruta brasileira alcançou 82,9% do PIB, enquanto as regras atuais do arcabouço fiscal são avaliadas como insuficientes para conter esse avanço. Para compensar o risco de financiar um governo endividado, investidores exigem retornos maiores nos títulos públicos. Isso eleva os juros futuros e pressiona o Banco Central a manter alta a taxa básica de juros, atualmente em 13,75%, o que encarece o crédito para empresas e famílias.
Declarações de Lula que relativizam a necessidade de superávits fiscais ou ampliam gastos para priorizar programas sociais perto do período eleitoral também elevam a preocupação do mercado com um cenário de dominância fiscal.







