O Brasil receberá em 2027 o primeiro computador quântico finlandês, em uma parceria que também envolve redes 6G, satélites de geointeligência e tecnologias para a indústria de papel e celulose. O embaixador da Finlândia, Antti Kaski, destacou a ampliação da relação bilateral durante visita a Curitiba na última semana.
O equipamento IQM Spark tem instalação prevista para o início de 2025 no Instituto de Pesquisas Eldorado, em Campinas. A tecnologia utiliza qubits, em vez dos bits dos computadores convencionais, e permite executar cálculos complexos simultaneamente. Universidades e centros de pesquisa poderão testar algoritmos voltados ao desenvolvimento de materiais químicos, à inteligência artificial e à otimização industrial.
Telecomunicações e monitoramento
Pesquisadores brasileiros participam, na Finlândia, de um projeto da Nokia com a Universidade de Oulu para desenvolver o 6G. A cooperação também inclui a startup ICEYE, que fornece pequenos satélites usados na geointeligência e no monitoramento do território para fins civis e militares. O Brasil foi o primeiro comprador internacional da empresa fora da União Europeia.
Na indústria de papel e celulose, empresas finlandesas, como a Valmet, fornecem tecnologias de automação e sustentabilidade. A companhia participou do Projeto Puma, da Klabin, no Paraná, com máquinas para a produção do Eukaliner, descrito como o primeiro papel kraft produzido com fibras de eucalipto.
O Brasil exportou mais de 20 milhões de toneladas de celulose no último ano e é o maior exportador mundial. A cooperação tecnológica é apontada como importante para a competitividade do setor.
Comércio entre Mercosul e União Europeia
Kaski disse estar otimista com a conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia e afirmou que os dois blocos compartilham valores de democracia liberal.
Sobre o embargo europeu a produtos de origem animal do Brasil, o embaixador negou motivação política ou protecionista. Ele atribuiu as restrições a exigências técnicas e sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos. Segundo Kaski, auditorias indicam que o comércio de mel e carne de frango deve ser normalizado em breve.







