PARANÁ — Cooperativas agroindustriais têm ajudado a manter famílias e jovens no campo ao ampliar a renda, criar empregos e apoiar a profissionalização das propriedades rurais. No Oeste do Paraná, onde estão sete cooperativas entre as mil maiores empresas brasileiras, quase 80 mil postos de trabalho são gerados diretamente por essas organizações em uma região com pouco mais de 1,5 milhão de habitantes.
Além de atrair trabalhadores para as agroindústrias, o movimento inclui jovens que retornam depois de estudar em grandes centros. A permanência está ligada à viabilidade econômica das propriedades e à possibilidade de desenvolver uma trajetória profissional no próprio território.
Renda e diversificação
No estado, 92% dos imóveis rurais têm menos de 100 hectares, e a área média é de 48 hectares. A atuação conjunta por meio das cooperativas fortalece os pequenos produtores diante da concorrência e da produção em larga escala. Para Andreia Campanholli, supervisora de Cooperativismo da C.Vale, sem esse apoio muitas propriedades já teriam sido vendidas ou arrendadas.
Palotina, município que abriga a sede da C.Vale, tem 36 mil habitantes, IDH de 0,768 e renda per capita 50% superior à média brasileira. Nesse ambiente, máquinas e tecnologias reduziram a dependência do trabalho pesado, enquanto a gestão passou a exigir conhecimentos de administração, agronomia e planejamento.
O economista Jandir Ferrera de Lima, professor da Unioeste Toledo, afirma que parte dos jovens passou a enxergar a propriedade como um negócio profissionalizável. A experiência de Gerson Araldi mostra esse processo: ele e o irmão Gilberto assumiram uma área familiar de 290 hectares e combinaram grãos, avicultura e produção de leite.
A diversificação distribui as receitas ao longo do ano e reduz a exposição aos riscos climáticos concentrados na produção de grãos. A sucessão também envolveu divisão de funções entre os irmãos e a organização da quarta geração em uma holding familiar.
Formação para a sucessão
A continuidade, porém, depende também da relação entre as gerações e de uma transição planejada. Andreia Campanholli defende a comunicação entre pais e filhos e diz que a preparação para a gestão se tornou tão importante quanto o conhecimento sobre a produção. Ela também relaciona a digitalização fiscal das notas à saída do produtor da informalidade.
Para apoiar esse processo, a C.Vale oferece uma trilha de desenvolvimento voltada aos filhos e netos das famílias de 27 mil associados. O programa começa aos oito anos e reúne conteúdos sobre gestão, sucessão, inteligência emocional e valorização da atividade rural.
A combinação de gestão, diversificação e apoio cooperativo amplia as condições para que as novas gerações permaneçam nas propriedades e movimentem a economia dos pequenos municípios.








